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01/05/2010 - 11h01

Grécia: um primeiro de maio sob o signo da crise

A Grécia celebrava neste sábado um primeiro de maio em clima de muita tensão, marcado por violentos choques com a polícia em Tessalônica e na capital, na véspera do anúncio de um acordo com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional que imporá ao país um tratamento de austeridade para superar a crise.

As manifestações mobilizaram milhares de pessoas.

"Nenhum sacrifício; a plutocracia deve pagar pela crise", dizia uma faixa da frente sindical comunista (Pame), que reuniu milhares de militantes, em meio a bandeirolas e bolas de gás vermelhas, na praça Sintagma, no centro da capital.

O ato controu com a participação de 15 mil pessoas.

Confrontos entre manifestantes e policiais, que usaram gás lacrimogêneo, foram registrados na capital grega no momento em que uma passeata passava diante do ministério das Finanças.

No meio da tarde, hora local, um grupo de manifestantes se entrincheirou na sede da Escola Politécnica de Atenas, enquanto que, no mesmo bairro, outro grupo atirava objetos contra as forças de segurança para impedir que avançassem.

Em Tessalônica, norte da Grécia, a polícia também recorreu a granadas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos de jovens ativistas que apedrejavam bancos e lojas da cidade.

Duzentos e cinquenta manifestantes destruíram dois caixas eletrônicos, a vitrine de uma loja de artigos eletrônicos e um carro de luxo, segundo a polícia.

Cinco mil pessoas participaram da passeata na cidade.

Europeus e o FMI negociam há dias em Atenas com o governo grego o desbloqueio de empréstimos a três anos para ajudar a Grécia a enfrentar uma dívida colossal. Só no primeiro ano, deverão ser concedidos 45 bilhões de euros.

Em troca, pedem ao governo a adoção de novas medidas de austeridade consideradas draconianas pelos sindicatos que as denunciam neste primeiro de maio, de caráter simbólico.

Segundo organizações de trabalhadores, é possível que se exija da Grécia uma economia em dois anos de até 25 bilhões de euros para sanear o déficit público, de modo a baixá-lo de 14% do Produto Interior Bruto (PIB), como foi no ano passado, a 4% no final de 2011. Seria um esforço sem paralelos na zona euro.

Os sindicatos, que convocaram greve geral para quarta-feira, declaram-se dispostos a lutar contra esta terapia de choque, que representa cortes nos salários e acarreta uma reforma não desejada do sistema de aposentadorias.

O primeiro-ministro Georges Papandreou tenta fazer com que os cidadãos aceitem os novos sacrifícios dizendo-lhes que a "sobrevivência da nação" dependia disto.

Este primeiro de maio é comemorado na véspera de um dia crucial para a Grécia. O acordo entre Atenas, a União Europeia e o FMI para a ajuda financeira deverá ser anunciado neste domingo durante uma reunião do conselho de ministros em Atenas, "provavelmente pela manhã".

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel reafirmaram neste sábado, durante telefonema, a determinação de "agir rápido", segundo o palácio presidencial francês.

O pacote ficará entre 100 bilhões a 120 bilhões de euros, a serem liberados durante três anos - confirmou a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

Segundo a revista alemã Spiegel, a Grécia ficará por 10 anos sob controle do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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