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01/05/2010 - 11h18

Obama visita zona de desastre no Golfo do México para avaliar mancha de óleo

O derramamento de petróleo no Golfo do México, que chegou ao litoral da Louisiana (sul) e pôs Alabama e Mississippi em estado de emergência, transforma-se numa das piores tragédias ecológicas da história dos Estados Unidos.

O presidente Barack Obama visitará a zona de desastre nas próximas 48 horas para avaliar a situação, anunciou neste sábado a Casa Branca.

Billy Nungesser, presidente da região de Plaquemines, na Louisiana, disse à AFP que a mancha negra - causada por uma plataforma do grupo britânico BP que afundou no dia 22 de abril - alcançou na noite de quinta-feira a costa, perto da desembocadura do rio Mississippi.

A mancha, de 1.500 km2 ameaça o ecossistema local.

Os governadores da Louisiana, Flórida, Alabama e Mississippi declararam estado de emergência.

Todo vazamento de petróleo no mar é destrutivo, mas a geografia do delta do Mississipi e seu frágil ecossistema a tornaram uma região particularmente vulnerável, segundo especialistas.

"Não bastará um punhado de voluntários para limpar a praia", destacou LuAnn White, diretora do Centro de Saúde Pública aplicada ao Meio Ambiente da Universidade de Tulane, em Nova Orleans.

"Há quilômetros de pântanos costeiros aos quais só se pode chegar de barco e que são muito delicados", explicou.

A maré e o vento fazem com que a camada de petróleo se embrenhe nos pântanos e na reserva de fauna silvestre de Pass-a-Loutre, que se internaliza no golfo.

Os pântanos costeiros fervilham de vida: alimentados pelos ricos sedimentos do Mississippi, abundam peixes, crustáceos e ostras. Além do mais, consistuem uma importante base para as aves migratórias.

Se sua plumagem for manchada por petróleo, elas podem morrer por sufocamento ou hipotermia. Em uma costa rochosa, os voluntários podem capturá-las para limpá-las, mas isso é mais difícil nos pântanos.

Quanto às tartarugas marinhas, crocodilos, golfinhos e baleias, eles podem inalar ou ingerir o petróleo quando sobem à superfície para respirar ou se alimentar das presas já sujas, correndo o risco de sofrer inflamações, lesões internas ou outras complicações.

Além disso, embora o petróleo flutue na superfície, alguns hidrocarbonetos se depositam no fundo e criam um entorno tóxico que pode matar os alevinos.

"Se isto continuar durante meses, como temem alguns, haverá muitas outras consequências", advertiu Tom Minello, especialista em meio ambiente da agência federal oceânica e atmosférica (NOAA).

As toxinas poderiam matar os vegetais que fixam os sedimentos e impedem que se dispersem no oceano.

"Um dos aspectos mais perigosos de tudo isto é que o petróleo poderia depositar-se em alguns hábitats costeiros, o que terá efeitos de longo prazo sobre os recursos da nossa pesca", explicou Minello.

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