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24/05/2010 - 15h26

FMI pede reformas financeira e trabalhista na Espanha

MADRI, 24 Mai 2010 (AFP) -O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta segunda-feira que a recuperação da economia espanhola será "fraca e frágil", sendo necessárias reformas urgentes no mercado de trabalho e no setor bancário, enquanto o governo do país deu mais um passo com o objetivo de baixar seu déficit público em meio a uma crise fiscal na Europa.

"Há desafios difíceis - um mercado de trabalho disfuncional, deflação na bolha imobiliária, um déficit fiscal gigantesco, setor privado endividado, crescimento produtivo anêmico, competitividade fraca, e um setor bancário enfraquecido", afirmou o FMI, sediado em Washington.

Durante o fim de semana, o Banco da Espanha, o banco central do país, interveio pela segunda vez desde o início da crise em uma instituição financeira regional problemática, trazendo à tona novas preocupações sobre a crise da dívida.

O Banco da Espanha informou nesta segunda-feira que o Cajasur, com sede na cidade de Córdoba e controlado pela Igreja Católica romana, receberá uma injeção de recursos de "ao menos" 523 milhões de euros para garantir sua sobrevivência.

Mas o jornal econômico Expansion informou que serão necessários ao menos 2,7 bilhões de euros para pagar o rombo de 1,5 bilhão de euros da instituição e cobrir outros 364 milhões de euros em créditos inadimplentes e a depreciação de ativos.

A ministra das Finanças, Elena Salgado, afirmou que o governo não tem uma estimativa de quanto será o resgate da CajaSur, declarando apenas que cabe aos diretores do banco central fazer uma avaliação.

Mas ela afirmou que a CajaSur, que conta com 486 agências e ativos da ordem de 19 bihões de euros, será vendida em um "processo competitivo" para garantir que a operação de resgate "tenha o menor custo possível aos contribuintes".

"Nosso sistema financeiro é absolutamente solvente. Não podemos dizer que ele está em risco só por conta de uma instituição pequena como a CajaSur, mas, obviamente, foi importante mandar um sinal de força, controle e solvência", afirmou à emissora de rádio Cadena Sur.

O resgate ocorre em um momento em que a Espanha está sob pressão para agir, tanto por parte de seus sócios na União Europeia como por parte dos mercados, que temem que a Espanha siga o caminho da Grécia - Atenas recebeu uma ajuda inédita de 110 bilhões de euros da UE e do FMI no início deste mês para salvar o país da quebra.

O governo espanhol anunciou nesta segunda-feira que planeja barrar autoridades locais de obterem financiamentos de longo prazo para seus investimentos até o fim de 2011, em uma nova tentativa de controlar as finanças públicas.

A medida é parte de um plano de redução de gastos anunciado este mês que inclui congelar as aposentadorias e cortar em 5% os salários dos funcionários públicos.

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