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10/06/2010 - 11h30

Superavit comercial chinês dispara em maio e aproxima-se de US$ 20 bilhões

PEQUIM, 10 Jun 2010 (AFP) -O superavit comercial chinês disparou em maio, aproximando-se dos US$ 20 bilhões, em meio a pressões dos parceiros do primeiro exportador mundial para que valorize a moeda local, o iuane.

Mês passado, o excedente comercial se situou em US$ 19,53 bilhões, muito acima de US$ 1,68 bilhão, em abril.

Tanto as exportações como as importações também se fortaleceram em relação a maio de 2009, um ano considerado particular, no qual o comércio exterior chinês viu-se muito prejudicado com a recessão econômica mundial e a consequente redução da demanda.

"O forte crescimento das exportações e do excedente não passará despercebido em Washington", comentou nesta quinta-feira Brian Jackson, analista no Royal Bank of Canada.

Os Estados Unidos, que sofrem um déficit comercial crônico com Pequim, é o país que ataca com mais virulência o câmbio baixo, que torna as exportações chinesas mais baratas e, portanto, mais competitivas.

Agora que a China retomou a via do crescimento forte, estas pressões tornam-se mais insistentes.

O secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, voltaram à carga sábado passado em Busan (Coreia do Sul) e hoje.

"Está claro que é preciso fazer alguma coisa a propósito do iuane", declarou Strauss-Kahn.

No final de maio, o presidente chinês, Hu Jintao, deixou entrever uma retomada "gradual" da reforma do sistema chinês de câmbio, bloqueada há quase dois anos. Ele não fixou nenhum prazo, no entanto.

No verão de 2008, as autoridades de Pequim ancoraram de fato o iuane ao dólar, bloqueando assim o movimento de valorização lento mas certo, em relação à moeda americana (21%) dos três anos anteriores.

Outros analistas esperam um gesto da China para a cúpula do G20, o grupo dos principais países industrializados e emergentes do planeta, no final de junho no Canadá.

A crise do euro, que já perdeu 20% de seu valor em relação ao dólar nos últimos seis meses, dá, no entanto, novos argumentos aos dirigentes chineses, que não demonstram pressa em valorizar o iuane, para evitar um encarecimento das importações chinesas.

Ainda assim, a realidade é que o iuane sobe de fato ante um euro em queda livre, mas sem causar erosões à competitividade das exportações chinesas à Europa, destino de 20% delas, e onde a demanda por esses produtos "manteve-se forte" em maio, segundo Wang Qing, economista da Morgan Stanley.

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