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26/06/2010 - 19h46

Brasil: países europeus fazem ajustes drásticos "às custas" de emergentes

TORONTO, Canadá, 26 Jun 2010 (AFP) -Os países emergentes serão gravemente afetados por ajustes fiscais drásticos dos países europeus, alertou este sábado o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, pouco antes do início da cúpula do G20 (grupo que reúne países ricos e emergentes), em Toronto (Canadá).

Os ajustes "devem ser realistas e não inibir o crescimento", disse Mantega durante entrevista coletiva.

"Se (os ajustes) ocorrerem em países avançados, pior ainda, porque estes países, ao invés de estimular o crescimento, prestam mais atenção no ajuste fiscal, e se são exportadores, estarão fazendo o ajuste às nossas custas", sentenciou.

Os países desenvolvidos em crise apostam, assim, em "ocupar os mercados dos emergentes que estão crescendo mais", acrescentou.

"Os países avançados exportadores não devem fazer ajustes fiscais muito severos que não estimulem seu consumo doméstico", pois "isto joga nos ombros dos emergentes a responsabilidade da reativação" econômica mundial, insistiu Mantega, chefe da delegação brasileira.

Mantega lidera a delegação brasileira, devido à ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na sexta-feira cancelou a viagem a Toronto por causa das inundações no nordeste brasileiro.

Os cortes orçamentários, o problema do déficit e os desequilíbrios na economia mundial são temas que serão abordados na quarta cúpula do G20 em Toronto (Canadá).

O ministro concordou que para se ter uma economia mundial "mais equilibrada", os emergentes têm que reduzir seu superávit comercial.

"Mas não podemos deixar que os emergentes tenham déficits de contas correntes (prolongados) que beneficiem os países avançados", explicou.

Os duros ajustes preconizados pelas maiores economias européias, começando pela Alemanha, o segundo maior exportador mundial, depois da China, criaram fortes dissensões nas estratégias de saída da crise. Os Estados Unidos, que optaram por manter políticas estatais expansionistas, foram dos críticos mais duros.

"Os Estados Unidos estão em uma posição similar à dos emergentes", afirmou Mantega.

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