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26/06/2010 - 18h50

G8 adverte Irã e Coreia do Norte e alerta para fragilidade da recuperação econômica

HUNTSVILLE, Canadá, 26 Jun 2010 (AFP) -Os líderes das oito potências mais industrializadas advertiram neste sábado, no Canadá, que a recuperação da economia é ainda "frágil" e renovaram as advertências ao Irã e à Coreia do Norte, elogiando os "esforços diplomáticos" de Brasil e Turquia na questão nuclear iraniana, pouco antes de se reunirem com seus parceiros emergentes na cúpula do G20.

"Nossa reunião anual acontece num momento em que o mundo dá início a uma frágil recuperação da maior crise econômica observada em várias gerações", assinalaram dirigentes de Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos no documento.

Igualmente, "a crise pôs em risco o avanço para a obtenção das metas" das Nações Unidas de redução da pobreza extrema pela metade no mundo em 2015, destacou o texto.

"Exigem-se compromissos mútuos renovados", destacou o comunicado, advertindo que "tanto países desenvolvidos quanto em desenvolvimento devem fazer mais".

Os líderes do mundo condenaram o afundamento de um navio militar sul-coreano, atribuído a forças norte-coreanas, e instaram o Irã a manter um "diálogo transparente" sobre seu programa nuclear, após "saudar os esforços diplomáticos" de Brasil e Turquia.

O bloqueio de Israel à Faixa de Gaza "não se sustenta" e deve ser modificado para permitir a chegada de ajuda a este território palestino, asseguraram os líderes.

Quando ao Afeganistão, as forças daquele país devem mostrar progressos "nos próximos cinco anos", acrescentou o comunicado final.

O G20 foi proclamado no ano passado em Pittsburgh (EUA), principal fórum de coordenação de políticas econômicas, em reconhecimento ao papel dos grandes países emergentes como locomotivas da economia mundial após a crise econômica.

Mas os países ricos resistem a enterrar o G8 como fórum de debates, onde os temas de segurança exigem uma voz comum dos países ocidentais.

O G8 anunciou, ainda, uma iniciativa de US$ 5 bilhões para lutar contra a mortalidade infantil e materna.

Os líderes do mundo encerraram seus trabalhos em um luxuoso balneário situado 225 km ao norte da cidade canadense de Toronto, onde poucas horas depois se iniciará a cúpula do G20 (países ricos e emergentes), sem a presença do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ausente por causa da gravidade das inundações no Nordeste.

Em Toronto, um protesto que reuniu milhares de pessoas causou incidentes no centro da cidade, com o incêndio de dois carros de patrulha e confrontos com a polícia, constatou a AFP.

Embora no campo diplomático a sintonia dos líderes mundiais pareça bem encaminhada, no plano econômico aparecem disensões.

A principal divergência se dá em torno da possível aplicação de uma taxa bancária mundial, após o enorme gasto de dinheiro público provocado pela crise econômica nos países ricos.

França, Alemanha e Grã-Bretanha apoiam a medida, confirmou o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"Estamos decididos a obter um marco que permita a imposição (fiscal) de atividades bancárias, e seja qual for a decisão dos nossos parceiros, o colocaremos em andamento", disse Sarkozy.

A ideia não é partilhada por países como Canadá e Rússia, no âmbito do G8, e não parece contar com nenhuma chance de triunfar no seio do G20.

O imposto "não contará com luz verde no seio do G20, já está decidido", declarou o italiano Silvio Berlusconi.

Países emergentes como Brasil, México e Índia, se opõem à taxa, pois consideram que penalizaria seu setor bancário.

Mas, a taxa bancária não é o único ponto de conflito.

Segundo o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, os governos europeus e japonês não fazem o suficiente para ajudar a recuperação econômica impulsionando a demanda interna.

O presidente americnao, Barack Obama, e o premier britânico, David Cameron, asseguraram que "a longo prazo" o compromisso dos dois países é com o crescimento, mas os dois países trilharam caminhos diferentes.

Cameron anunciou os cortes orçamentários mais drásticos do pós-guerra em seu país, enquanto Obama não quer abandonar a possibilidade de mais estímulos econômicos.

A China, por sua vez, alertou antes do início da cúpula, que não aceitará pressões para reexaminar a política cambiária do yuan.

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