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26/06/2010 - 14h24

Recuperação econômica global é ainda "fragil", diz o G8

HUNTSVILLE, Canadá, 26 Jun 2010 (AFP) -Os líderes das oito potências mais industrializadas advertiram neste sábado que a recuperação da economia é ainda "frágil", com as consequências da crise comprometendo o plano social - a realização e desenvolvimento das Metas do Milênio, estabelecidas pelas Nações Unidas.

"Nossa reunião anual acontece num momento em que o mundo dá início a uma frágil recuperação da maior crise econômica observada em várias gerações", assinalaram dirigentes de Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos no documento.

De acordo com o texto obtido com antecedência pela AFP, a lentidão da economia comprometeu esforços em prol dos objetivos sociais estabelecidos pelas Nações Unidas, pelo que "tanto os países mais ricos quanto os em desenvolvimento devem fazer mais".

Além da redução da pobreza extrema de metade da população no mundo, até 2015, os objetivos do Milênio, fixados em 2000, consistem em garantir a educação primária para todos, promover a igualdade dos sexos, dando mais poder às mulheres, além de reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna, combater a Aids, a malária e outras doenças; preservar o meio ambiente e pôr em prática uma parceria mundial voltada para o desenvolvimento das Nações.

O G8 encerrou seus trabalhos num luxuoso balneário a 225 km ao norte da cidade canadense de Toronto, onde poucas horas depois começaria a cúpula do G20 (países ricos e emergentes), com a ausência inesperada do brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva.

Embora os líderes das potências mundiais demonstrassem sintonia no plano diplomático, no plano econômico apareceram claramente as primeiras divergências.

O comunicado final não mencionou a possibilidade de criação de uma taxa sobre os bancos, uma possibilidade debatida depois dos enormes gastos com dinheiro público durante a crise financeira vivida pelos países ricos.

França, Alemanha e Grã-Bretanha são favoráveis a essa taxa, para evitar más administrações que mergulharam o mundo na pior crise econômica e financeira desde 1929.

Entre o G20, países emergentes como Brasil, México ou Índia também se opõem à taxação, para não penalizar ainda mais seu setor bancário, com a alegação de que a crise teve origem nos países ricos.

Ao se inclinarem a preservar iniciativas no plano social, as nações industrializadas anunciaram contribuições de até cinco bilhões de dólares em defesa da saúde materna e infantil nos países em desenvolvimento.

O fundo é batizado de iniciativa Muskoka, nome da região canadense onde está sendo realizada a cúpula do G8.

"O exemplo dado pelos dirigentes do G8, atraiu donativos e contribuições de outras nações (não membros do grupo) e fundações, que entraram com mais 2,3 bilhões de dólares, somando, no total 7,3 bilhões", anunciou à imprensa o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper.

Ele agradeceu os aportes do G8 e também os da Holanda, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Espanha, Suíça, Fundação Gates e Fundação das Nações Unidas.

Segundo a Casa Branca, Barack Obama comprometeu-se a contribuir com mais de 1,3 bilhão de dólares na luta contra a mortalidade infantil. Para isso, o presidente pedirá ao Congresso a aprovação em dois anos (2010-2011) da verba destinada à iniciativa de Muskoka.

É preciso que "nos comprometamos em conjunto a garantir que as mulheres nos países em desenvolvimento não sofram mais e não morram por causa da gravidez e do parto", destacou Harper.

Apesar dos avanços dos últimos anos, 8,8 milhões de crianças ainda morrem antes dos cinco anos.

Em relação à saúde materna, o objetivo é trabalhar para uma redução anual de 5,5% das mortes durante a gravidez para se cumprir as Metas do Milênio, que estabelecem um percentual de 75% de redução, em relação às cifras de 1990.

A iniciativa Muskoka insiste, em particular, na "melhoira da saúde de mulheres, bebês e crianças", precisou a Casa Branca.

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