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17/08/2010 - 12h18

Ucrânia vai reduzir exportações de cereais por onda de calor

KIEV, 17 Ago 2010 (AFP) -A Ucrânia, um dos maiores exportadores de cereais do mundo, vai reduzir as exportações de grãos a 3,5 milhões de toneladas até o final de ano por causa da onda de calor e da seca que afetam o país, anunciou nesta terça-feira o ministério de Política Agrária, seguindo os passos da Rússia.

"Estamos propondo que exportemos 2,5 milhões de toneladas até hasta o fim do ano", afirmou o ministro Mykola Prysiajniuk, acrescentando que os milhões de toneladas de cereais que já se encontram nos portos ucranianos também serão exportados.

A questão sobre esta nova cota será examinada na quarta-feira no conselho de ministros com os comerciantes de cereais, acrescentou o ministro. A medida deverá entrar em vigor em 1º de setembro.

A Ucrânia, primeiro abastecedor mundial de cevada e sexto de trigo, exportou mais de 21 milhões de toneladas de cereais entre junho de 2009 e junho de 2010.

Esta ex-república soviética já exportou 2,69 milhões de toneladas de cereais desde 1º de julho.

A medida anunciada por Kiev poderá custar à Ucrânia sanções por parte da Organização Mundial do Comércio (OMC), da qual é membro, segundo a imprensa.

Depois da onda de caloar que afeta o país há semanas, a colheita de cereais poderá baixar a 42,5 milhões de toneladas contra 46 milhões de toneladas em 2009, de acordo com as estimativas.

A Rússia, terceiro exportador mundial de trigo, anunciou há duas semanas uma suspensão de suas exportações desse cereal e seus produtos derivados a partir de meados de agosto, em função da queda das colheitas.

As estimativas de colheita de trigo para este ano foram reduzidos pelo governo russo a 70-75 milhões de toneladas, ao invés da média anual de 90 milhões, segundo a agência RIA Novosti.

Este anúncio fez com que os preços mundiais do trigo tocassem níveis recordes, depois de ser alvo de um aumento constante nas últimas semanas. A Rússia exportou no ano passado 21,4 milhões de toneladas de cereais.

A Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) advertiu recentemente que se os preços dos grãos continuarem disparando, poderá haver problemas de segurança alimentar nos países pobres.

Nos primeiros quatro meses de 2008, os preços das matérias-primas para a elaboração de alimentos subiu 53% com relação ao mesmo período de 2007, afetando aos países mais pobres e provocando revoltas na África, Caribe e Ásia.
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