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19/08/2010 - 14h54

Novo estudo revela perfil da classe média na Ásia

NOVA DÉLHI, 19 Ago 2010 (AFP) -Eles são o sonho de todo publicitário e o futuro da economia mundial - é a nova classe média emergente da Ásia, desnudada em um novo estudo, que dá especial destaque a seu impressionante crescimento.

De acordo com as previsões contidas na pesquisa, realizada pelo Banco de Desenvolvimento da Ásia (BDA), 800 milhões de pessoas farão a transição entre a pobreza e a classe média, em um cenário de crescimento continuado.

Essa mudança "deve trazer muitos desafios, mas também abrirá oportunidades novas e sem precedentes para a região e para o mundo", conclui o BDA.

O estudo também procura jogar luz sobre as características deste crescente setor da sociedade asiática, indicando que seus membros compartilham muitas peculiaridades com seus pares no Ocidente desenvolvido.

De maneira geral, a classe média asiática frequenta a escola, vive em áreas urbanas, tem menos filhos e valores mais progressistas. Seus membros têm tendência a comer demais e se exercitar de menos, são ávidos consumidores de carros e eletrodomésticos.

China e Índia são os países com maior número de cidadãos classificados como classe média, o que não chega a ser uma surpresa. Em 2030, espera-se que mais de um bilhão de pessoas em cada um destes países alcance este status social.

A China foi mais bem sucedida do que a Índia em tirar pessoas da pobreza, contando 63% de sua população - 817 milhões de pessoas - fazendo parte da classe média em 2008; uma proporção considerável em relação ao 1,9 bilhão de pessoas pertencentes a este estrato da sociedade na Ásia emergente.

A classe média indiana contava 274 milhões de pessoas em 2008 - um quarto de seus 1,1 bilhão de habitantes, de acordo com dados citados pelo BDA.

"As projeções sugerem que, até 2030, grande parte da Ásia em desenvolvimento terá alcançado o status de classe média e média-alta", afirma Jong-Wha Lee, economista chefe do BDA, na introdução do estudo.

A pesquisa define os membros da classe média como pessoas que consomem entre dois e 20 dólares por dia. A "Ásia emergente", por sua vez, é considerado todo o continente com exceção de Japão e Coréia do Sul.

Calcula-se que o aumento da renda seja o principal motor da economia global, com um número cada vez maior de consumidores adquirindo geladeiras, carros, telefones celulares e pacotes de turismo.

O gasto médio do consumidor na região chegou a 4,3 trilhões de dólares em 2008, e a previsão é de que esta cifra salte para 32 trilhões em 2030. Neste ponto, o valor representaria 43% de todo o consumo mundial, segundo o BDA.

"A Ásia terá papel principal no futuro do consumo, passando de grande produtor global a grande consumidor global", disse Lee à imprensa durante o lançamento da pesquisa.

Essa explosão do consumo carrega importantes implicações sociais, políticas e ambientais.

O aquecimento global, a degradação ambiental, a competição por fontes de água potável e a disputa por terras cultiváveis são alguns dos problemas potenciais que podem aflorar com o drástico aumento do número de pessoas em busca de conforto material de acordo com os padrões ocidentais.

Há também considerações significativas do ponto de vista da saúde pública, segundo o BDA, apontando que a classe média asiática já mostra sinais de estar adotando os pouco saudáveis hábitos ocidentais de alimentação rica em calorias e gordura.

O número de casos de diabetes, doenças cardíacas e câncer já está em alta no continente.

"Tudo indica que, nos próximos 20 ou 30 anos, a Ásia será confrontada com um número crescente de doenças crônicas em uma escala sem precedentes", alerta o estudo.
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