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13/09/2010 - 15h25

Acordo sobre marco regulatório eleva ações de bancos europeus

LONDRES, 13 Set 2010 (AFP) -As ações dos bancos europeus fecharam em forte alta esta segunda-feira, após o acordo "Basileia III" sobre um novo marco regulatório adotado no domingo que eleva os recursos dos estabelecimentos bancários para tentar evitar que se repita uma crise financeira como a de 2008.

Puxadas pelos títulos bancários, as bolsas europeias fecharam em alta: Londres subiu 1,16%; Paris, 1,11%; Frankfurt, 0,75%, e Madri, 0,71%.

As altas registradas no setor bancário foram muito mais importantes e abrangeram os principais países europeus: os franceses Crédit Agricole (+5,75%) e BNP Paribas (+2,08%), os britânicos HSBC (+2,48%) e Royal Bank of Scotland (+2,35%), os alemães Commerzbank (+2,37%) e Deutsche Bank (+1,70%), e os espanhóis Bankinter (+2,32%), BBVA (+1,69%) e Santander (+0,56%).

Os investidores pareciam tranquilos quanto às modalidades do acordo denominado "Basileia III", que deve ser aprovado durante o G20 de Seul (Coreia do Sul), em novembro.

O Comitê da Basileia, que reúne os governadores (presidentes) dos principais bancos centrais e reguladores do mundo, adotou no domingo uma série de novas regras para o setor bancário, centradas sobretudo em fundos próprios destes estabelecimentos.

Estas são as principais medidas que serão apresentadas em novembro, na próxima cúpula do G20, em Seul:

- Recursos próprios que os bancos devem ter: os bancos deverão ter em reserva recursos próprios, derivados de um aumento de capital e de lucros, da ordem de 7% do montante dos empréstimos outorgados a seus clientes. Até o momento, este percentual era de 2%.

Este aumento do montante dos recursos próprios deve permitir aos bancos resistir a crises e absorver possíveis perdas sem colocar em risco todo o sistema financeiro.

Estes 7% são formados por camadas diferentes: quando um banco tiver que recorrer ao primeiro destes "colchões" de segurança, não estará mais isento de atribuir à sua conveniência importantes bônus a seus diretores ou dividendos confortáveis a seus acionistas.

A transição de 2% para 7% não será feita da noite para o dia, mas progressivamente, entre 2013 e 2018, com o objetivo de dar aos bancos tempo de encontrarem novos recursos próprios junto a seus acionistas ou investidores.

Desta forma, acaba de ser lançada entre os bancos uma verdadeira corrida pelos bilhões necessários para reforçar os fundos próprios via aumento de capital.

Por outro lado, os países devem adotar legislações nacionais para aplicar estas medidas, algo que também levará tempo.

- A liquidez dos bancos: no pior momento da crise, que começou há dois anos com a quebra do Lehman Brothers, os bancos tiveram muitos problemas para obter o dinheiro líquido necessário para sua atividade corrente. Por isso, os governos tiveram que entrar em cena e emprestaram dinheiro maciçamente a estes estabelecimentos.
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