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04/06/2008 - 08h41

PIB brasileiro deve 'perder fôlego' em 2008 e 2009, diz OCDE

Daniela Fernandes

de Paris para a BBC Brasil
O crescimento do PIB brasileiro deve "perder um pouco de fôlego" neste ano e chegar a apenas 4,8%, segundo a OCDE (Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que divulgou nesta quarta-feira o relatório "Previsões Econômicas" para as maiores economias mundiais.

Em 2007, o PIB do Brasil cresceu 5,4%. Em 2009, a organização prevê que o PIB brasileiro irá aumentar 4,5%, pouco menos do que neste ano.

Mas as análises e estimativas da organização para a economia brasileira nos próximos dois anos são, no geral, positivas, considerando-se ainda que, em seu relatório semestral, a OCDE reduziu ainda mais suas previsões de crescimento para inúmeros países ricos e previu um aumento "fraco" da economia mundial.

"A demanda interna será sem dúvida o principal motor do crescimento brasileiro, reforçada pelo dinamismo persistente dos investimentos. O mercado do trabalho deve registrar desempenhos satisfatórios e apoiar a expansão do consumo doméstico, ainda que em menor grau em relação a 2007", afirma a OCDE.

Exportações
As exportações brasileiras também "vão bem, apesar do vigor do real". Segundo o relatório, "o excedente comercial continuará provavelmente a se contrair, sob o efeito do aumento das importações".

A OCDE prevê que as exportações brasileiras irão atingir US$ 179,6 bilhões neste ano e US$ 192,8 bilhões em 2009 (contra US$ 160,6 bilhões em 2007). Já as importações devem crescer 27% neste ano em relação ao anterior, passando para US$ 152,4 bilhões.

A organização prevê um índice de inflação de 4,9% em 2008, comparados com os 4,5% registrados no Brasil ano passado, devido à pressão dos custos mais elevados da energia e dos produtos alimentares. Em 2009, segundo a OCDE, a inflação brasileira será de 4,5%.

Apesar de ressaltar que a situação financeira do Brasil é "satisfatória" e que as entradas de capitais permaneceram positivas no primeiro trimestre deste ano, a organização alerta que a deterioração do clima financeiro internacional é o principal fator de risco "em um cenário relativamente sereno" no Brasil.

"Nos últimos anos, a resistência do Brasil aos choques externos se fortaleceu, mas uma desaceleração mundial mais brutal do que prevista teria conseqüências sobre o crescimento das exportações", afirma a OCDE em seu relatório.

Nessa hipótese, diz a organização, "a menor atratividade de ativos dos mercados emergentes teria impacto sobre as condições de crédito do país e sobre o crescimento econômico e a inflação".

Países ricos
No documento "Perspectivas Econômicas", a OCDE afirma que a desaceleração econômica mundial registrada nos últimos meses deverá se generalizar nos países ricos que integram a organização, sobretudo em razão do aumento dos preços das matérias-primas e do marasmo do mercado imobiliário.

"O pior da crise financeira internacional já passou, mas seus efeitos serão sentidos ainda durante um bom período. São vários trimestres de fraco crescimento econômico para a maioria das economias da OCDE", diz o relatório, acrescentando que "novas perturbações nos mercados internacionais não estão excluídas".

A OCDE reduziu sua previsão de crescimento da economia americana para 1,2% em 2008.
Em março, quando foram divulgadas estimativas intermediárias, antes da divulgação do relatório semestral, a projeção de aumento do PIB dos Estados Unidos havia sido de 1,4%.

Em 2009, a organização prevê agora crescimento de apenas 1,1% no país.
Nos países da zona do euro, o aumento do PIB foi reduzido para 1,7% em 2008, contra 1,4% previsto na estimativa anterior.

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