! Entenda o que acontece com o fracasso do pacote - 30/09/2008 - BBC Brasil
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30/09/2008 - 11h57

Entenda o que acontece com o fracasso do pacote

O pacote de US$ 700 bilhões para salvar instituições americanas financeiras em crise foi rejeitado pela Câmara dos Representantes.

Caso o plano tivesse sido aprovado, ele seria a maior intervenção de um governo na economia desde a Grande Depressão, dos anos 30.

Agora, no entanto, os legisladores estão planejando o próximo passo.

Quais são os resultados prováveis do fracasso do pacote?
A repercussão imediata acontece nas bolsas de valores.

O Dow Jones perdeu 770 pontos - a maior queda em um só dia em toda a história. O índice Nasdaq desabou 9,1%. Mercados na Ásia, na Europa e na América Latina acompanharam a tendência.

Os preços do petróleo e do dólar também caíram, provocando dor de cabeça em alguns dos investidores.

O fracasso também levanta dúvidas sobre como o setor financeiro vai se recuperar.

Os mercados de crédito devem ficar praticamente congelados, com bancos relutando em emprestar para outros bancos.

Isso significa que está mais caro e difícil para indivíduos, pequenas empresas e grandes firmas conseguirem empréstimos bancários.

O fracasso do pacote era esperado?
Alguns parlamentares dos dois partidos americanos se manifestaram contra o pacote. Na semana passada, políticos americanos anunciaram que firmaram um pacto, mas em seguida derrubaram o acordo.

Na segunda-feira, as chances de fracasso eram bem menores, já que o governo e os dois partidos redigiram um acordo bastante detalhado.

Mas com a maioria do eleitorado vendo o pacote como um resgate injusto a banqueiros gananciosos, muitos políticos se sentiram impedidos de apoiar o pacote.

Então o plano de resgate morreu agora?
O secretário do Tesouro, Henry Paulson, vai consultar o presidente americano, George W. Bush, o diretor do Federal Reserve, Bem Bernanke, e os líderes do Congresso, para discutir os próximos passos.

Dado o grande apoio ao acordo - que foi aprovado pelos candidatos à Casa Branca Barack Obama e John McCain - é provável que algum tipo de pacote seja aprovado.

A reação negativa dos mercados financeiros deve pôr mais pressão sob os políticos. Mas qualquer medida só deve voltar à pauta a partir de quinta-feira.

Por que bancos ricos precisam de um resgate?
Os mercados financeiros mundiais estão em dificuldade, porque muitos investiram demais no mercado de hipotecas. Quando a bolha imobiliária americana estourou, os bancos ficaram sem saber quais dos seus empréstimos seriam repagos e quais sofreriam calote.

O que começou como um pequeno problema agora tomou conta de todo o mundo.

Os bancos não sabem mais quanto seus investimentos valem. Isso faz com que esses papéis se tornem mais difíceis de se vender. E também faz com que alguns bancos sólidos fiquem sem dinheiro.

Além disso, os bancos não confiam um no outro. Eles não sabem quais bancos podem entrar em crise e se recusam a emprestar entre si.

Isso levou o sistema financeiro a um impasse, com taxas de juros subindo e atingindo consumidores e empresários.

A crise já resultou no colapso de vários bancos grandes nos Estados Unidos e na Europa.

Como o pacote deveria funcionar?
O secretário do Tesouro disse que usaria o dinheiro para comprar papéis ruins de hipotecas.

Em retorno, os contribuintes americanos ganhariam uma participação nos bancos que são resgatados. No caso de os bancos se recuperarem, os contribuintes poderiam até ter lucro.

No entanto, se os contribuintes perderem dinheiro, o resto da indústria de serviços financeiros teria de arcar com o custo do pacote.

Os dirigentes de bancos que faliram teriam limites nas suas remunerações e não teriam direito aos "pára-quedas dourados" - os grandes pagamentos a banqueiros que deixam as instituições.

Além disso, instituições financeiras teriam que adquirir apólices de seguro contra perdas futuras em negócios hipotecários.

Quatro agências monitorariam o fluxo do dinheiro.

Como o pacote afetaria os indivíduos?
Para quem mora nos Estados Unidos, calcula-se que cada contribuinte teria cerca de US$ 2,3 mil de participação no bolo das perdas financeiras.

Sem o pacote, a crise econômica pode piorar. No pior dos cenários, os bancos de diversos países do mundo poderiam quebrar.

Isso não só sobrecarregaria os sistemas que protegem os poupadores e investidores, como daria início a uma crise econômica global, com milhões de companhias falindo e dezenas de milhões de empregos perdidos.

Se alguma solução for encontrada, o pior da crise poderia ser evitado. Mas é pouco provável que o cenário volte completamente ao normal.

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