! Mantega pede reforma urgente do FMI - 11/10/2008 - BBC Brasil
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11/10/2008 - 17h07

Mantega pede reforma urgente do FMI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado em Washington que a crise econômica global torna "ainda mais urgente" uma reforma no modo de operar do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Até recentemente, o FMI estava concentrado nos problemas dos países de mercado emergente e em desenvolvimento. Não parece ter dedicado suficiente atenção aos principais centros financeiros, onde ciclos de expansão e contração do crédito vêm sendo observados com freqüência e intensidade alarmantes nas últimas décadas", disse o ministro durante um discurso no encontro do Comitê Internacional Monetário e Financeiro (IMFC, na sigla em inglês), do FMI.

"Há uma clara necessidade de fortalecer o monitoramento desses mercados", afirmou.

Mantega, que participa da reunião semestral do Fundo e do Banco Mundial, pediu que o órgão crie um instrumento capaz de assegurar a liquidez dos mercados emergentes.

"A gravidade e os amplos efeitos da crise financeira fazem com que seja de importância crítica introduzir no Fundo um novo instrumento de liquidez direcionado para os países de mercado emergente e em desenvolvimento que estejam enfrentando choques em suas contas de capital".

"A nossa geração nunca viu uma crise tão profunda", continuou o ministro. "Especulação intensa nos mercados financeiros, falta de uma regulação e supervisão adequadas e mecanismos deficientes de resolução de crises em países importantes levaram ao que parece ser a pior débâcle financeira desde a Segunda Guerra Mundial".

Mais tarde, em conversa com jornalistas, o ministro mudou o tom. "Agora não é o momento de recriminações, de achar culpados. Agora é o momento de achar as saídas para estancar essa hemorragia forte que afeta não só os países avançados, mas começa a afetar os países emergentes".

G20
Pelo segundo dia consecutivo, Mantega falou longamente com a imprensa, mas não quis antecipar os detalhes de um dos pontos essenciais de sua agenda em Washington, a reunião do G20, que acontece neste sábado à noite.

O bloco, que reúne as principais economias emergentes e os países mais ricos do mundo, é atualmente presidido pelo Brasil, que coordenou, juntamente com os Estados Unidos, um encontro do grupo.

"Eu não gostaria de antecipar o que vou propor no grupo do G20, o que acontecerá logo em breve. Mas certamente eu não vou mencionar que o G20 pela sua estrutura, pela sua característica, não foi feito para funcionar em crise", disse.

E completou: "Não foi feito para ter uma ação imediata em situações emergenciais. Então, nós temos que repensar o G20 de modo que ele possa ser efetivo".

O ministro contrastou a estrutura do G20 com a do G7, o grupo que reúne as sete maiores economias globais.

"O G7 já tem uma ação mais coordenada e efetiva. Tanto que eles se reúnem com muita facilidade em todo momento que há necessidade. Eu ouvi várias falas aqui de que temos que ser integrados ao G7, uma delas do Zoellick", afirmou, em menção à defesa feita pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, de que o G7 seja ampliado e passe a contar com a participação de países emergentes.

Comunicado do G7
Mantega também fez comentários sobre o plano de ação divulgado nesta sexta-feira pelos países que integram o G7.

O comunicado, com cinco itens, foi considerado vago por diferentes analistas econômicos, já que não apresenta quaisquer indicações claras sobre os passos que os países do G7 pretendem tomar para estancar a crise.

De acordo com o ministro, o plano representou um avanço.

"Talvez ainda não completamente, mas eles conseguiram avançar e estabeleceram alguns pontos importantes. Um deles é que os países devem tomar todas as medidas necessárias e todos os instrumentos tradicionais e não-tradicionais para poder combater a crise", afirmou.

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