! Obama herda pior clima econômico desde depressão dos anos 30 - 06/11/2008 - BBC Brasil
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06/11/2008 - 09h40

Obama herda pior clima econômico desde depressão dos anos 30

Steve Schifferes

De Washington para a BBC News
Quando o senador Barack Obama celebrou sua vitória histórica nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, ele falou de sonhos.

Mas, agora, ele enfrenta a realidade - o ambiente econômico mais difícil para um novo presidente desde que Franklin D. Roosevelt foi eleito no ápice da depressão dos anos 30.

E, assim como em 1932, a crise econômica pode piorar nos 75 dias que antecedem a posse, no dia 20 de janeiro de 2009.

Obama tem três desafios-chave no que concerne a economia: como garantir a estabilidade do sistema financeiro, como lidar com a recessão que se aproxima e como pagar por seu ambicioso plano para os setores de saúde, educação e o meio ambiente.

Crise de crédito
Apesar do plano de resgate de US$ 700 bilhões, o sistema financeiro dos Estados Unidos ainda está enfraquecido.

A injeção de US$ 250 bilhões no sistema bancário pode ter evitado novas falências, mas não conseguiu reviver os empréstimos.

Pelo contrário, a contração de empréstimos para a compra de casas parece estar se espalhando para outros setores, como cartões de crédito e empréstimos para a compra de carros.

Apesar de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter reduzido as taxas de juros para 1%, as taxas aplicadas para hipotecas continuam altas porque as instituições de crédito ainda temem as conseqüências de um calote.

Ajuda
O próximo secretário do Tesouro poderá decidir como gastar os US$ 450 bilhões restantes no fundo de resgate aprovado pelo Congresso americano.

A administração de Obama pode, ao contrário do atual secretário do Tesouro Hank Paulson, decidir usar mais dinheiro para ajudar diretamente os donos de casas afetados pela crise e menos para comprar ativos bancários em queda.

Essa medida, por outro lado, poderia ser vista como injusta por aqueles que estão penando para pagar suas hipotecas - e que fizeram vários sacrifícios para não deixar de pagá-las.

Também não está claro quanto o novo governo vai querer destinar a pessoas cuja aposentadoria foi afetada pelas quedas nas bolsas de valores.

Barack Obama já disse acreditar que a fonte do problema a longo prazo seria o excesso de desregulamentação no setor financeiro, e o Congresso americano já estuda propostas para lidar com o problema.

Mas a idéia de aumentar a regulamentação do setor implica em várias tarefas delicadas, como equilibrar as responsabilidades entre Estados e governo federal e decidir trabalhar ou não com outros países para implementar novas regras em um setor cada vez mais globalizado.

A economia real
Mas há problemas ainda mais sérios para o presidente eleito na chamada economia real dos Estados Unidos.

A economia americana começou a encolher em julho, e essa queda deve se acelerar no próximo ano.

O consumo, que representa dois terços do PIB (Produto Interno Bruto) está caindo ainda mais rapidamente, à medida que a confiança do consumidor diminui.

Fabricantes de produtos relativamente caros, como carros, estão entre os mais afetados pela queda no consumo. As vendas da maior fabricante de carros dos Estados Unidos, a GM, caíram 45% em outubro, comparado com o mesmo mês do ano passado.

E o desemprego continua a subir, com 700 mil novos desempregados neste ano, levando o índice a 6,1% da força de trabalho.

Muitas das indústrias afetadas já estão pedindo ajuda do Congresso e do novo governo, e o novo presidente terá de decidir como oferecer ajuda.

Obama já está comprometido com um pacote de estímulo relativamente pequeno, que poderia incluir cortes de impostos e ajuda aos Estados.

E se a desaceleração da economia se aprofundar, os assessores econômicos de Obama terão que decidir se os planos para estimular a economia devem envolver ajuda para indivíduos - que podem poupar em vez de gastar - ou financiamento para projetos públicos, que podem gerar mais empregos mas levar mais tempo.
Cortes de impostos
Barack Obama vai herdar um déficit orçamentário de quase US$ 500 bilhões, que já é o maior da história em termos absolutos e deve dobrar à medida que a recessão reduzir os rendimentos com impostos e o custo com o resgate financeiro subir.

Mesmo assim, o novo presidente deverá apresentar planos ambiciosos para melhorar os setores de saúde, educação, infra-estrutura e meio ambiente.

E ele já prometeu uma redução de impostos para 98% dos americanos que ganham menos que US$ 250 mil ao ano.

Obama espera financiar esses cortes com um aumento de impostos para os mais ricos, mas os rendimentos disso só irão surgir mais tarde.

Planos para aumentar o número de pessoas com planos de saúde e ajudar Estados a recuperar estradas e pontes podem sofrer atrasos devido às dificuldades financeiras.

O governo poderá ter de resgatar alguns dos maiores Estados industriais.
E há ainda o desafio com o orçamento a longo prazo, com um aumento da diferença entre rendimentos e gastos com dois dos maiores programas sociais do governo - de pensão e assistência médica para os idosos - à medida que uma nova geração começar a se aposentar.

A maneira como Barack Obama irá responder a esses desafios pode determinar como ele será lembrado na história: como Roosevelt, que mudou o cenário político dos Estados Unidos por toda uma geração, ou como Jimmy Carter, cujo fracasso em lidar com as dificuldades econômicas dos anos 70 levou à eleição do republicano Ronald Reagan.

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