! Manifestação pré-G20 em Londres abre semana de protestos - 28/03/2009 - BBC Brasil
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28/03/2009 - 16h06

Manifestação pré-G20 em Londres abre semana de protestos

Uma manifestação que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Londres inaugurou o "circo" de protestos que a cidade espera ver armado para o encontro do G20, que terá lugar na capital britânica na próxima quinta-feira.

Cerca de 35 mil pessoas, na estimativa da polícia, caminharam mais de 6 quilômetros para pedir que os líderes dos 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento que integram o grupo priorizem as preocupações do cidadão comum ao discutir as saídas para a crise global.

Mais de 150 organizações sindicais, ambientalistas, anti-guerra, de combate à pobreza e atuantes nos mais variados aspectos sociais engrossaram a marcha batizada de "Put People First" (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre).

Os manifestantes pedem criação de empregos, justiça social (ou melhor distribuição de riqueza) e medidas contra o aquecimento global (por acreditarem que o atual modelo econômico leva à destruição da natureza). Entre a multidão que partiu do pier de Victoria, na margem norte do rio Tâmisa, estavam diversas crianças e pais com carrinhos de bebê.

Ao som de Manu Chao, batucadas e canções tradicionais, alem dos já esperados bordões e gritos de guerra, os manifestantes passaram por cartões-postais, como o Big Ben e a catedral de Westminster, e terminaram sua jornada com um comício seguido de apresentações musicais no Hyde Park.

Foi um início pacífico para a temporada de manifestações desta semana, que a polícia espera ser tensa. Nos últimos dias, a polícia anunciou ter cancelado as férias de todo seu pessoal e informou que seis forças distintas serão unificadas sob um só comando para melhorar a eficiência do patrulhamento.

O maior temor de distúrbios se concentra no dia 1º, quarta-feira, véspera da reunião do G20 e o dia para o qual está prevista uma grande variedade de protestos sob um guarda-chuva apelidado sugestivamente de "G20 meltdown" ou, em tradução livre, "o derretimento do G20".

No maior evento previsto, uma espécie de "procissão dos quatro cavaleiros do Apocalipse", quatro passeatas sairão de quatro diferentes estações de metrô no coração financeiro da cidade - a City londrina - para se encontrar na frente do Banco da Inglaterra, o BC do país.

Outros possíveis alvos seriam a Embaixada americana em Londres, a sede do banco RBS, e mesmo funcionários de instituições do mercado financeiro.

Grupos anarquistas enviaram mensagens anônimas ameaçando "uma ação espetacular" nos dias 1º e 2 de abril, e a polícia especula que grupos violentos que atuaram nos anos 1990 tenham se reagrupado para protestar agora.

Mas enquanto os incidentes não se concretizam, a corporação tem sido criticada por suas declarações ressaltando a possibilidade de confrontos.

"Estou cada vez mais preocupado que (as declarações da polícia) se tornem uma auto-profecia. Ressaltando os prospectos de violência, eles vão desestimular os militantes pacíficos e atrair outros de outro tipo", resumiu neste sábado, em declarações ao jornal The Guardian, o parlamentar David Howarth.

Por isso a rapidez dos organizadores da marcha deste sábado em ressaltar o seu carater pacífico e "familiar".

"Será como um carnaval", disse uma das organizadoras, Marina Pepper, antes da passeata. "A polícia diz que será violenta, mas não é nosso plano. Eles dizem coqueteis molotov, eu digo chá; eles dizem tijolos ao ar, eu digo vamos comer bolo. Será uma grande festa", afirmou.

Neste sábado, desafiando o frio e a chuva, fantasias, bandeiras de ONGs e cartazes com dizeres sociais se misturavam a faixas de grupos que protestavam contra as guerras do Iraque e do Afeganistão e o imperialismo. Aqui e ali sobressaiam os estandartes com o pavilhão cubano e da Autoridade Palestina, e pelo menos duas vezes apareceu a bandeira venezuelana.

"Morei em Caracas por um tempo e vi o que eles estão fazendo la, vi o povo venezuelano tomando as próprias rédeas do seu destino, votando por alguém que representa os seus interesses. Por que não podemos fazer o mesmo aqui?", disse o socialista Michael Millet, que carregava uma delas.

"O capitalismo só funciona para uma pequena minoria. Quando as grandes corporações lucram, os lucros vão para os acionistas, e quando quebram pedem dinheiro ao governo e se dão bem do mesmo jeito." Fiona Donavan, do Grupo Revolucionário Comunista, que falou à BBC Brasil ao lado de seu estande, onde uma faixa ressaltava dizeres do presidente boliviano, Evo Morales, também defendeu que a saída para a atual crise está na busca de alternativas ao capitalismo financeiro.

Por isso, ela se mostrou cética em relação à reunião do G20. "Esse encontro é sobre como salvar o capitalismo. Eles não estão discutindo o combate à pobreza no mundo, não estão discutindo as 35 mil crianças que morrem de fome todo dia. É um encontro para discutir o sistema financeiro e como garantir que esse sistema funcione da mesma maneira. Eles não querem nenhuma mudança", disse.

Ela rejeitou a ideia de que o G20 represente uma democratização real nas discussões sobre a economia global, por reunir países desenvolvidos e em desenvolvimento.

"Esse grupo (o G20) tem Índia, Indonésia e Brasil, mas eles ainda são os países que detem 90% do PIB mundial", disse. "Ainda são os países mais poderosos do mundo, e eles só querem esse forum para garantir que as coisas continuem do mesmo jeito."

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