! Lula pedirá fim do protecionismo ao G20, dizem analistas - 02/04/2009 - BBC Brasil
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02/04/2009 - 06h29

Lula pedirá fim do protecionismo ao G20, dizem analistas

O Brasil defenderá na cúpula do G20, nesta quinta-feira em Londres, o fim do protecionismo comercial como uma das principais soluções para a crise financeira internacional, segundo a opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil.

O encontro do G20, que reúne as maiores economias do mundo e os principais países emergentes, como o Brasil, tentará fechar ações concretas e coordenadas para reerguer a economia mundial.


Na avaliação de Christopher Wright, professor associado à London School of Economics (LSE), em Londres, o Brasil tem sido uma das vozes mundiais mais atuantes no combate ao protecionismo e vê na crise uma boa oportunidade para impulsionar a conclusão da Rodada Doha de liberalização do comércio internacional.

"Lula quer unir as discussões sobre a urgência de concluir Doha às propostas de soluções para a crise global", afirma o especialista.
Wright enfatiza que as ambições brasileiras deverão continuar encontrando barreiras nos Estados Unidos e na Europa, que já antes da crise impuseram obstáculos à conclusão da Rodada.

"Com a recessão, fica ainda mais complicado reduzir os subsídios e proteções econômicas internamente. Quando os trabalhadores de um país pressionam para que seu governo os proteja, fica difícil argumentar por um mercado mais livre ou por menores barreiras", afirma Wright.

Em uma recente entrevista à BBC Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o protecionismo será um tema presente na segunda edição da cúpula. "A ameaça continua", disse o chanceler.

"Exortações contra o protecionismo não bastam. Precisamos de ações concretas. E a ação concreta que podemos tomar é a conclusão da Rodada Doha", disse o chanceler.

Porta-voz dos emergentes
Para Olivier Dabène, professor de Ciências Políticas da Universidade Sciences Po, em Paris, e presidente do Observatório Político da América Latina e Caribe (Opalc), o Brasil chega ao G20 com um "bom argumento" contra o protecionismo.

"Por muito tempo o Brasil foi acusado de ser um país protecionista e de não fazer o esforço necessário para se adaptar à globalização. Hoje, o país está aberto e pode dar lições aos Estados Unidos e à Europa numa posição um pouco inédita e que poderá dar vantagens ao Brasil nas negociações", afirma Dabène.

Ainda para o analista, o Brasil se consolidou como uma espécie de "porta-voz dos países emergentes" nos fóruns internacionais e, como tal, pedirá um maior poder decisório para essas nações nos organismos financeiros multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"O Brasil vai lutar para que não nos contentemos com pequenas reformas ou que discutamos apenas o montante de dinheiro que tem de ser aplicado para relançar a economia mundial, mas que aproveitemos dessa crise para fazer uma reforma profunda", diz Dabène.

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse à BBC Brasil que existe uma tendência de que os emergentes atuem em bloco na cúpula do G20.

"Esses países estão pagando uma conta de um problema que não foi causado por eles. O ideal é que todos se sintam de certa forma um pouco responsáveis pelo problema, então esperamos que essa responsabilidade seja assumida".

Fiel da balança
As semanas que antecederam o G20 foram marcadas pelas desavenças entre os Estados Unidos e a Europa sobre as melhores saídas para a crise global.

Enquanto os EUA vêm defendendo a implementação de pacotes de estímulos à economia, lideranças da União Europeia como Alemanha e França pregam que é preciso criar órgãos de regulamentação do sistema bancário e financeiro para evitar que crises semelhantes voltem a abalar o mundo.

Para Olivier Dabène, o Brasil poderá ser "o fiel da balança" entre Estados Unidos e Europa na mesa de negociações do G20.

"O Brasil poderá fazer a balança pender para o lado dos europeus porque também defende o sistema de regulação", afirma Dabène.

"Mas, de certa forma, Lula também apoia Obama e seus esforços de lançar pacotes de estimulo porque sabe que se a economia americana não se recuperar rápido, as exportações dos países emergentes continuarão sendo afetadas", afirma.

Mas alguns analistas têm expectativas mais modestas sobre a hipótese de o Brasil sobressair nesta cúpula. Para Alfredo Valladão, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Paris, o Brasil tem pouco a dizer sobre como "resolver a crise concretamente".

"O país esta tentando utilizar esse momento para ressaltar seu status internacional", afirma Valladão.

Agenda
Após passar boa parte do dia reunido com os outros chefes do G20 no centro de convenções Excel, no leste de Londres, Lula terá um encontro bilateral no final da tarde com o presidente da China, Hu Jintao.

À noite, o presidente será entrevistado para o programa Newsnight, da BBC.

Na sexta-feira pela manha, Lula fará uma visita às obras do Parque Olímpico de Londres antes de retornar a Brasília.

*Colaborou Fabrícia Peixoto, da BBC Brasil em Brasília

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