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22/04/2009 - 14h57

Reforma financeira evitará novos resgates de bancos, diz Obama

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Nova York que a reforma que ele está propondo para o setor financeiro dos Estados Unidos vai impedir que consumidores arquem com novos pacotes de resgate financeiro a bancos no futuro.

Em um discurso perto de Wall Street, o coração financeiro dos Estados Unidos, Obama pediu o apoio do setor às mudanças, que enfrentam resistência no país.

"Um voto a favor das reformas significa votar para acabar com pacotes de resgate financeiros pagos pelo contribuinte", disse ele, sobre as medidas que tramitam no Congresso americano.

"Sempre existiu uma tensão entre a vontade de permitir que os mercados funcionassem sem interferência e a necessidade absoluta de regras para impedir que os mercados desequilibrem-se. Administrar essa tensão, que existe desde nossa fundação, é o que fez esse país acompanhar as mudanças de um mundo constantemente em movimento."
"O debate pode ser tenso ou acalorado, mas no fim, fortalecerá nosso país", disse ele.

Pontos básicos
A plateia, composta por alguns dos maiores nomes do mundo financeiro em Nova York, escutou de Obama explicações sobre os quatro pontos principais da sua proposta de reforma do setor financeiro.

O primeiro propõe que seja limitado o tamanho dos bancos e dos riscos que instituições bancárias podem assumir.

"Isto não apenas protegerá nosso sistema contra crises, mas o fortalecerá e o tornará mais competitivo ao aumentar a confiança doméstica e internacionalmente", diz ele.

O segundo ponto da reforma, segundo o presidente, prevê a adoção de medidas para aumentar a transparência ao sistema financeiro.

A respeito do terceiro ponto, Obama afirmou que "daremos aos consumidores informações claras e concisas para tomar decisões financeiras."
"Em vez de competir para oferecer produtos confusos, as empresas competirão ao estilo antigo, oferecendo o melhor produto."
O quarto ponto das proposta de reforma do presidente democrata prevê mais poder aos acionistas das empresas do setor para que estes tenham "uma voz a respeito dos salários e bônus pagos a altos executivos".

Saindo da crise
Obama ressaltou que é necessário que a recuperação da crise financeira global que já se faz sentir em Wall Street também beneficie os consumidores americanos.

"Não podemos ficar satisfeitos", disse ele, "até que esse progresso se faça sentir não apenas em Wall Street, mas também na Main Street".

Na frase, o presidente fez um trocadilho envolvendo Wall Street, o principal centro financeiro americano e também um termo usado para se referir à economia de títulos, ações e indicadores, e Main Street, termo usado para falar da economia real, das ruas e do varejo.

"Em última instância, não há linha divisória entre Wall Street e Main Street", continuou.

"Nós cresceremos ou cairemos juntos, como nação."
Simbolismo
As propostas sofrem resistência do Partido Republicano nas duas casas do Congresso.

Os republicanos concordam que é necessário reformar o sistema financeiro americano, mas todos os 41 senadores do partido assinaram uma carta que declara oposição às propostas democratas.

O local do discurso desta quinta-feira, a faculdade Cooper Union, teve uma importância simbólica, por sua proximidade com Wall Street e por já ter sido palco de outros discursos de líderes americanos.

Em março de 2008, o próprio Obama, ainda candidato presidencial na época, defendeu no local regras mais rígidas para o setor financeiro.

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