! Bird promete US$ 35 bi para infraestrutura na América Latina - 23/04/2009 - BBC Brasil
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23/04/2009 - 16h56

Bird promete US$ 35 bi para infraestrutura na América Latina

O presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, anunciou nesta quinta-feira que o banco pretende investir um total de US$ 35 bilhões em obras de infraestrutura na América Latina nos próximos dois anos. Entre os países que deverão receber investimentos está o Brasil, ainda que Zoellick não tenha dado detalhes sobre a quantia a ser investida no país.

O dinheiro faz parte dos US$ 90 bilhões que diversas instituições de fomento, não apenas o Bird, anunciaram que iriam destinar à América Latina e ao Caribe nos próximos dois anos, dobrando o montante investido na região. Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, Zoellick advertiu que a crise financeira global não pode levar a cortes em gastos sociais e à criação de barreiras protecionistas. Os comentários do chefe do Bird foram feitos na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), como parte dos eventos que antecedem a reunião de primavera do fundo e do banco, que acontece neste final de semana. Transferência de renda Zoellick citou o Brasil e o México como exemplos de nações em desenvolvimento que seguem realizando investimentos sociais de peso, com programas de transferência condicional de renda, o Oportunidades mexicano e o Bolsa Família brasileiro.

O chefe do Bird elogiou os programas dizendo que, ao contrário do muitos pensam, tais iniciativas não representam gastos pesados sobre o orçamento das nações que as aplicam, pois tanto o Oportunidades como o Bolsa Família têm custos inferiores a 1% do PIB mexicano e brasileiro. O presidente do Banco Mundial afirmou que, entre as nações latino-americanas, o Brasil está em posição melhor, porque nos últimos oito anos, o país acumulou reservas, aumentou produtividade e investiu em programas. De acordo com o chefe do Bird, o Brasil inevitavelmente iria ser atingido pela crise, mas devido à dimensão de sua economia, o país pode contar mais com sua demanda doméstica. O problema, acrescentou Zoellick, é que o Brasil ''ainda possui muitas pessoas pobres, que possuem pouco ou nenhum meio de amortecer (os efeitos da crise financeira)''.

Nas nações ricas, disse ele, ''os traumas (causados pela crise global) levam à perda de moradias e empregos, mas nos países emergentes, não há para onde correr, porque há pessoas que não têm o que comer.'' Protecionismo O chefe do Banco Mundial disse que após o encontro do G20, realizado no início deste mês em Londres, ao menos nove países que integram o bloco implantaram medidas protecionistas, mesmo após terem se comprometido a não fazê-lo, ao final do encontro. Segundo Zoellick, ainda que algumas dessas ações sejam aceitas sob as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), elas causam restrições que tornam mais difíceis as trocas comerciais.

''O perigo do protecionismo está aumentando, políticos e governos estão enfrentando forte pressão local para fechar seus mercados'', afirmou. O Banco Mundial distribuiu um documento listando alguns dos países que vêm realizando práticas que teriam características protecionistas, entre eles estão Argentina, Brasil, Estados Unidos, Índia, Japão, Rússia e União Europeia.

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