! Apesar de crise, exportações do Brasil à China aumentam 65% em 2009 - 18/05/2009 - BBC Brasil
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18/05/2009 - 05h36

Apesar de crise, exportações do Brasil à China aumentam 65% em 2009

Contrariando as expectativas pessimistas em meio à crise econômica mundial, as exportações brasileiras à China cresceram 64,7% no primeiro quadrimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.

Em janeiro, um levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) havia projetado perdas de mais de US$ 1,5 bilhão somente nas vendas de minério de ferro, soja e petróleo, mas a estimativa negativa não chegou a se concretizar.


Correspondendo a cerca de 77% da pauta exportadora, esses três produtos surpreenderam o mercado apresentando crescimento acelerado nas exportações entre janeiro e abril.

Nos primeiros quatro meses de 2009, o volume das vendas de soja em grão aumentou 70,1%, e do minério de ferro 51,3% em relação ao mesmo período de 2008, segundo números do Ministério daIndústria, Desenvolvimento e Comércio, compilados pelo CEBC. Mas o dado mais impressionante é o das vendas de petróleo e derivados, que subiram 251%.
"Nós erramos feio na projeção", disse Rodrigo Maciel, secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China.

"O comércio destes três produtos está crescendo muito forte, mas os fatores responsáveis por isso são variados", explicou.

Pacote de estímulos
Maciel afirmou que boa parte do impulso no comércio de maneira geral - e nas vendas de minério de ferro em particular - se deve ao plano de estímulos lançado pelo governo chinês para combater a crise.
A iniciativa de mais de US$ 585 bilhões anunciada em novembro inclui forte investimento em obras de infra-estrutura e construção civil para a geração de empregos.
"Cerca de 70% dos gastos previstos no pacote estão relacionados à infra-estrutura e isso demanda minério de ferro do Brasil", disse à BBC Qu Hongbin, economista chefe para China do banco HSBC em Hong Kong.

Segundo ele, as exportações de commodities vão continuar aquecidas, pois a implementação do pacote está em "estágio inicial" e mais adiante haverá "mais investimento na China", o que manterá a demanda alta.

"As exportações brasileiras estão se saindo muito bem neste ano. Isso reflete principalmente o sucesso do pacote de estímulos da China para promover demanda doméstica, embora tenha havido também aumento de inventário, o que deverá terminar em breve", disse Arthur Kroeber, diretor da Dragonomics, consultoria de economia baseada na capital chinesa.
Soja
De acordo com Sérgio Mendes, diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, ANEC, as vendas de soja à China e a quebra da safra argentina tem mantido o preço da commodity elevado.
"Se você pegar o preço médio da tonelada de hoje e comparar com recordes do passado, vai ver que ele só foi superado pelo valor de 2008, mas 2008 foi excepcional pois se tratava de especulação", disse Mendes à BBC Brasil.
A principal razão para as exportações de soja terem aumentado em termos de volume é o fato de a China estar elevando os estoques estratégicos, afirmou Mendes.
"Eles estão expandindo as reservas nacionais para mais de seis milhões de toneladas e estão comprando da gente", disse.
De janeiro a abril a China importou 4,2 milhões de toneladas de soja do Brasil. Na mesma época do ano passado o consumo não tinha passado de 2,5 milhões de toneladas, uma elevação de 70,1%.

Petróleo
A China tem comprado cada vez mais petróleo do Brasil, um produto que não estava entre os cinco mais vendidos em 2004, quando o presidente Lula visitou oficialmente o país pela primeira vez.

O próprio anúncio de detalhes sobre uma linha de crédito de US$ 10 bilhões para a exploração do pré-sal está sendo aguardado durante a atual viagem presidencial.

"É que Pequim está buscando formas de diversificar, uma vez que dependente muito do Oriente Médio", disse Qu Hongbin.

"Com suas gigantescas novas reservas de petróleo, o Brasil irá provavelmente se tornar um grande exportador de petróleo e gás e a China será um de seus mercados naturais", disse Renato Amorim, sócio da consultoria Carnegie Hill e ex-chefe do setor comercial da embaixada brasileira em Pequim.

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