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09/09/2009 - 16h28

Crise fez empresários brasileiros mudarem estratégias, diz estudo

Uma pesquisa realizada pela consultoria Ernst & Young com executivos brasileiros mostrou que as empresas brasileiras mudaram suas estratégias para se adaptar à crise econômica, mas que na maior parte dos casos não houve corte de vagas.

Quarenta por cento dos executivos ouvidos pela Ernst & Young em maio disseram que suas empresas já haviam mudado suas estratégia devido à crise.

Segundo a pesquisa, empresas deram prioridade para melhorar o seu capital de giro, otimizar as receitas e reduzir custos. O ponto menos importante para a maioria dos empresários foi diversificar o portfolio de clientes.

A pesquisa revelou que em 28% das empresas havia previsão de algum tipo de corte de vagas até maio de 2010. No entanto, a maioria decidiu manter o mesmo número de vagas (40%) ou contratar mais pessoas (32%).

A desvalorização do dólar diante do real - uma das consequências da crise econômica até o momento - também foi um fator que afetou a estratégia das empresas. Quase 50% dos executivos acreditam que o valor da moeda americana provocará um aumento da receita no próximo ano, mas para 20% dos entrevistados isso deve causar uma queda na rentabilidade.

"Algo que nos surpreendeu, mas ao mesmo tempo nos alegrou, foi que essa busca por melhor ganho operacional, otimização e redução de custo em épocas passadas estava muito associada à redução de pessoas", diz o diretor executivo de Business Risk Services da Ernst & Young, Paulo Freitas, que trabalhou na pesquisa.

"De modo geral, as empresas amadureceram e perceberam que nem sempre reduzir pessoas é a melhor estratégia para se reduzir custos operacionais. Elas se convenceram de que cortar pessoas às vezes é um custo adicional quando você tem que recontratá-las [depois], além de você perder determinada inteligência que está construída dentro da sua própria empresa. Isso foi um dado importante, diferenciado de pesquisas anteriores." Recuperação lenta Os empresários estão divididos sobre o grau de retração econômica do Brasil durante a crise, mas 70% se disseram confiantes no desempenho das suas empresas.

Para 52% dos entrevistados, o Brasil passará por uma leve retração, já 48% acreditam que a desaceleração econômica será mais intensa. Há um consenso maior em torno de uma recuperação lenta. Mais de três quartos dos executivos ouvidos acreditam que a recuperação econômica será lenta. Para 56%, as condições da economia brasileira melhorarão entre seis e 12 meses. Já para 24%, a economia voltará a crescer rapidamente.

Os dados fazem parte de uma pesquisa feita pela Ernst & Young com 25 executivos brasileiros em maio e foram divulgados no mês passado, quando começaram a surgir as notícias de que alguns países já estavam deixando a recessão para trás.

Para os empresários, os setores econômicos mais afetados pela crise são a construção civil e o mercado imobiliário (segundo 18% dos entrevistados), o automotivo (13%) e os serviços financeiros (12%). No entanto, os setores de construção, imobiliário e de serviços financeiros devem ser justamente os que se recuperarão mais rapidamente, na opinião dos entrevistados.

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