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10/09/2009 - 11h16

Recuperação econômica será 'longa e tortuosa', diz premiê

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou nesta quinta-feira que a economia mundial já começou a se recuperar, mas descreveu o processo como sendo longo e tortuoso.

Falando na abertura do Fórum Econômico Mundial na cidade portuária de Dalian, na China, Wen defendeu as políticas de seu governo para tentar estimular o crescimento econômico, mas alertou para admitiu que o combate à crise global será uma tarefa árdua.

Wen afirmou que o pacote de incentivos de US$ 580 bilhões lançado pela China em novembro passado "já atingiu resultados iniciais" e disse que avanços no "consumo doméstico e investimento" foram fundamentais. De acordo com o líder, dados do começo de julho apontam que 52,4% dos recursos do pacote se destinaram a habitação e programas de assistência social nas áreas urbanas e rurais; 24,7% foram direcionados a inovação, conservação ambiental e energias verdes; enquanto que os restantes 22,9% serviram a obras de infra-estrutura. Apesar de o pacote de incentivos demandar muitos recursos, Wen reforçou que o nível de endividamento da China não passa de 3% do PIB e a iniciativa é fortemente financiada pelo próprio Banco Central chinês, que possui reservas externas de mais de US$ 2 trilhões. ConsumoWen Jiabao salientou que fomentar o consumo doméstico e depender menos das exportações é a mudança estrutural que a China precisa fazer, se quiser ter sucesso a longo prazo. Para isso, os investimentos na rede social do país são vistos como fundamentais - apesar de ser um país "socialista", saúde, educação e outros serviços ainda não são providos gratuitamente pelo governo. O primeiro-ministro não deu números absolutos do total médio gasto anualmente per capita com consumo, mas afirmou que neste ano as vendas de bens duráveis aumentaram 15% e que 7,3 milhões de carros foram vendidos. A reestruturação da composição do produto interno bruto, com mais ênfase no mercado doméstico, deverá garantir um crescimento "rápido e estável", já que a China ainda enfrenta "extrema pressão com a queda do consumo externo", disse Wen. Exportações No primeiro trimestre do ano a economia tinha amargado o pior desempenho de quase duas décadas com expansão de 6,1% do PIB, pouco para a média de dois dígitos observada entre 2003 e 2007. A queda de 17% nas vendas ao exterior naquele período contribuiu para o resultado fraco. De abril a julho, no entanto, o país asiático conseguiu se recuperar e emplacou um crescimento de 7,9% da economia, embora tenha mantido a tendência de retração nas vendas ao exterior. A meta de crescimento anual estabelecida pelo Partido Comunista é de 8%, mas, segundo Wen Jiabao, o governo "não está focado em atingir o número" e sim em "criar empregos". Segundo o ministro de Recursos Humanos e Segurança Social, Yin Weimin, o nível de desemprego "já está sob controle", publicou nesta quinta o jornal estatal China DailyAo longo do ano, 7,57 milhões de novos empregos foram criados, o que corresponde a 84% da meta anual. O nível de desemprego urbano ficou na casa dos 4,3%. Esse número, no entanto, não inclui a população de trabalhadores imigrantes, estimada em pelo menos 200 milhões. A imprensa estatal, porém, informou que o governo estima que no mês passado 95% trabalhadores imigrantes estavam empregados. O ministro Yin ressaltou, porém, que em alguns seguimentos da sociedade o nível de desemprego segue "severo". Em julho, mais de 30% dos 6,11 milhões de novos graduandos seguiam desempregados e a China totalizava mais de sete milhões de jovens adultos sem trabalho.

Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, a geração de novos empregos em todas as camadas sociais é necessária para criar "estabilidade social e harmonia", resumiu Wen Jiabao.

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