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11/09/2009 - 05h23

Economistas preveem que crise fará PIB perder R$ 138 bi em 2009

A economia brasileira deverá fechar este ano até R$ 138 bilhões menor do que era previsto pelo mercado antes da crise.

Esse cálculo, feito por economistas a pedido da BBC Brasil, tem como base as previsões de analistas de mercado contidas no boletim Focus desta semana e no de 12 de setembro de 2008, o último antes do agravamento da crise mundial.

Naquele relatório Focus, divulgado três dias antes da quebra do banco americano Lehman Brothers, os analistas consultados pelo Banco Central previam para 2009 crescimento de 3,6% e inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,99%.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, calculou que, se essas previsões tivessem sido mantidas, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teria passado dos R$ 2,889 trilhões de 2008 (conforme dados do IBGE) para R$ 3,143 trilhões em 2009.

No entanto, pelo cálculo de Borges, se forem confirmadas as projeções do boletim Focus divulgado na última terça-feira, de contração de 0,16% e IPCA de 4,30%, o PIB de 2009 será de R$ 3,005 trilhões.

Custo per capita
De acordo com o economista-chefe da LCA, se essa perda de R$ 138 bilhões for dividida pela população do Brasil (191,7 milhões de pessoas), chega-se à conclusão de que cada brasileiro deixou de ganhar em média R$ 719 por causa da crise.

"Foi o custo per capita da crise", diz Borges.

Também a pedido da BBC Brasil, o economista Claudio Considera, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), calculou a variação do PIB com base nas previsões dos dois relatórios, mas usando como deflator (inflação a ser descontada) o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) em vez do IPCA.

Como a previsão do Focus desta semana para o IGP-M é de deflação de 0,74%, Considera fez o cálculo com base em previsão de crescimento zero e deflator zero.

O economista chegou à conclusão de que o país terá deixado de gerar R$ 104 bilhões em 2009, a diferença entre um PIB de R$ 2,993 trilhões (caso crescesse os 3,6% previstos pelo mercado antes do agravamento da crise) e a estagnação em R$ 2,889 trilhões, caso se confirme a previsão de crescimento zero.

Segundo trimestre
As previsões para a evolução da economia neste ano ainda podem mudar e foram feitas antes da divulgação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos resultados do PIB no segundo trimestre, nesta sexta-feira.

No entanto, os economistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que, apesar da perspectiva de frustração no crescimento, o resultado ainda é bem melhor do que o esperado no auge da crise.

"É um resultado menos ruim do que todos imaginavam", diz Considera, que foi secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda de 1999 a 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

"No auge da crise, houve quem projetasse queda de 4,5% do PIB", diz Borges. "Neste sentido, a economia brasileira até se saiu bem perto da média mundial. Enquanto nós, na LCA, projetamos que o PIB Brasileiro vá crescer 0,3% em 2009, o PIB mundial deve recuar 1,5%."

Produção industrial
A comparação do Focus de 12 de setembro de 2008 com o desta semana revela também uma queda acentuada nas estimativas de produção industrial.

Na pesquisa do ano passado, a previsão era de crescimento de 4,2% para 2009. O último relatório prevê queda de 7,35% na produção industrial deste ano.

"A indústria foi o setor que mais sofreu com a crise", diz o economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria.

Wjuniski prevê que, depois de dois trimestres consecutivos de queda (em relação ao trimestre anterior), o PIB brasileiro vai voltar a crescer, puxado principalmente pela indústria.

No entanto, segundo o economista da Tendências, a produção industrial só deverá voltar ao patamar pré-crise no fim de 2010.

Pontos positivos
A previsão da LCA é mais otimista, de volta ao nível pré-crise já no início do próximo ano.

Os economistas citam dois pontos positivos em meio à crise, na comparação entre os dois boletins Focus.

Além da previsão de inflação medida pelo IPCA (que serve de base para as metas inflacionárias do governo), que passou de 4,99% para 4,30%, as projeções para a taxa básica de juros (Selic) passaram de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano.

"A redução da atividade permitiu permitiu que a inflação entrasse num cenário mais benigno. O mesmo ocorreu com a Selic', diz Wjuniski.

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