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24/09/2009 - 06h58

Cisões e impasses marcam reunião do G20

A reunião do G20 começa nesta quinta-feira na cidade americana de Pittsburgh em meio a divergências que perduram desde o encontro de abril do bloco, em Londres.

A cúpula, que reune os países mais ricos do mundo e as principais economias emergentes, ocorre dias após os Estados Unidos terem imposto uma tarifa de 35% sobre pneus produzidos na China, gerando protestos por parte dos asiáticos.


E tem início horas depois de sindicatos americanos terem pedido a adoção de impostos sobre papel importado da China e da Indonésia.

Tudo isso apesar de, na última reunião, os países do G20 terem divulgado um comunicado conjunto, no qual se comprometiam a combater o protecionismo e a adotar medidas em defesa do livre comércio.

Pouco antes da realização da reunião de abril, o Banco Mundial avaliava que 17 das 20 nações do G20 haviam adotado pelo menos 47 medidas protecionistas.

E um relatório divulgado nesta semana pelo instituto World Trade Alliance, de Genebra, afirmou que, em média, um integrante do G20 quebrou sua promessa de não-protecionismo uma vez a cada três dias.

Controle financeiro
Outro ponto que pouco avançou desde o último encontro é a divergência entre americanos e europeus sobre mecanismos de controle do sistema financeiro.

Os Estados Unidos vêm defendendo a adoção de medidas de fiscalização do setor financeiro, mas a posição fica aquém da que é defendida pelas nações europeias.

Os americanos também acreditam que cabe aos países da UE fazer mais no sentido de garantir a capitalização dos bancos em seus territórios, proposta que é vista com reserva pelos europeus.

Em suma, apesar de a crise econômica global estar dando sinais de melhora em diferentes partes do mundo, há pouco consenso em relação a práticas capazes de garantir um sucesso duradouro e prevenir choques futuros.

"Por enquanto, temos visto declarações bem gerais sobre a importância de se evitar o protecionismo, mas disputas como esta entre Estados Unidos e China despertam dúvidas sobre a seriedade destes termos de compromisso e envenenam todo o ambiente da reunião'', disse à BBC Brasil Philip Levy, do instituto de pesquisas American Enterprise Institute.

Protecionismo
O economista Barry Bosworth, do Brookings Institution, diz que "os Estados Unidos não são o único (país)" a seguir o caminho do protecionismo, mas crê que a imposição de tarifas sobre os pneus chineses "foi uma decisão muito difícil de defender, até porque o presidente Barack Obama foi tão enfático em sua crítica ao protecionismo na última reunião do G20".

"Não há como alegar que a China agiu de forma ilegal ou que estava praticando dumping. A punição aos chineses não vai gerar empregos no mercado americano, porque os custos trabalhistas nos Estados Unidos seriam muito elevados para produzir esses pneus por aqui", afirma Bosworth.

Para o analista, como os Estados Unidos têm uma economia diversificada e vasta, "nós temos dificuldades em ver como a economia global nos beneficia".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar a Pittsburgh por volta de 12h, após vir de Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU.

Logo após a chegada, ele será um dos convidados de um almoço com outros chefes de Estado.

A tarde, ele se encontra com sindicalistas americanos e à noite, participa de um jantar oferecido pelo presidente Obama aos chefes de Estado presentes à cúpula.
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