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24/09/2009 - 19h29

Europa resiste em ampliar representação de emergentes no FMI e Bird, diz assessor

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta quinta-feira que os países europeus estão resistindo à ideia de ampliar a representação das nações emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.

''Estamos vendo um certo retraimento. Estamos vivendo uma crise econômica, precisamos ter novas políticas. O tratamento da crise daqui até 2010, 2011 será feito por essas instituições, então elas precisam ser reformadas", afirmou o assessor especial da Presidência.

Os comentários de Garcia foram feitos na cidade americana de Pittsburgh, que abriga a reunião do G20 -o bloco reunindo os países mais ricos do mundo e as principais economias emergentes.

Garcia integra a delegação brasileira, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula, que chegou à cidade nesta quinta-feira. A opinião do assessor da Presidência ecoa a do líder brasileiro. Na quarta-feira, em Nova York, após haver discursado na sede da ONU, Lula disse que "não podemos deixar as coisas como estão, não fazer as reformas que precisam ser feitas com o FMI, o Banco Mundial. (...) Nós temos que dar um passo adiante".

O Brasil defende que a participação das economias em desenvolvimento seja expandida em aproximadamente 7% dentro do FMI.

G20
O esboço inicial do documento final do G20 diz que há um consenso em elevar as cotas dos emergentes em pelo menos 5%, graças a uma transferência de ''países super-representados para mercados emergentes dinâmicos e subrepresentados e nações em desenvolvimento na próxima revisão de cotas (do FMI), que será concluída em 2011".

Garcia disse que ''alguns estão fazendo cara de paisagem. Os europeus estão introduzindo um outro critério, que tira dos grandes e passa para os pequenos, dos super-representados para os subrepresentados, mas não introduz a questão concreta, que e é a questão da representação dos emergentes".

O assessor da Presidência especificou o que diferenciaria a postura dos emergentes da ''cara de paisagem'' europeia. ''A diferença é que você pode tirar, por exemplo, da França, e passar até para um país europeu que esteja subrepresentado'', explicou.

Algumas nações, como a Espanha, por exemplo, gostariam que o documento não falasse em ''mercados emergentes dinâmicos e subrepresentados'', mas somente em ''mercados dinâmicos e subrepresentados'', a fim de que pudesse se valer do mesmo aumento de cotas pleiteado pelos países em desenvolvimento.

Garcia afirmou que a "a reorganização da governança dos organismos de Bretton Woods'' é a prioridade na agenda brasileira entre os tópicos que estão sendo discutidos no G20.

Bretton Woods é uma cidade no Estado americano de New Hampshire, onde, em 1944, se discutiu a criação de sistemas de regulamentação da ordem financeira global e que, mais tarde, propiciaram a criação do FMI e do Banco Mundial.

Mudança
Segundo o assessor da Presidência, os demais tópicos considerados cruciais pelo Brasil são a regulamentação do sistema financeiro e o fim de políticas protecionistas.

Com ironia, Garcia expressou sua crença de que é possível superar as divergências.

"Espero que nós cheguemos a um acordo, porque se nós não chegarmos a um acordo com a presença dos presidentes e dos líderes, quando é que
nós vamos chegar a um acordo, na reunião com o Papa?''
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