UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

28/09/2009 - 11h09

Crise acelera substituição de brasileiros qualificados em reduto de imigrantes na China

A crise acelerou a substituição de trabalhadores brasileiros por chineses na província de Guangdong, tradicional reduto da comunidade "verde-e-amarela" na China A região, que faz fronteira com Hong Kong, foi pioneira na onda migratória, recebendo a partir da segunda metade da década de 90 milhares de profissionais qualificados da indústria de couros e calçados. Estima-se que mais de 3 mil brasileiros morem em Guangdong e trabalhem em posições de chefia na cadeia de concepção e produção de sapatos. O paulista Diego de Paulo era um deles, mas voltou ao Brasil há pouco mais de um mês porque foi substituído por um colega chinês. Por um ano e meio, De Paulo ocupou a vaga de gerente de logística em um curtume brasileiro, que empregava outros nove brasileiros em cargos de gerência e 300 operários chineses na cidade de Hai Feng. "As firmas estão desenvolvendo a inteligência dos chineses, buscando gente capaz no mercado porque isso custa muito, muito menos do que pagar um brasileiro", conta De Paulo, que ainda trabalha para o mesmo curtume em São Paulo. "Hoje em dia os brasileiros disputam vagas até mesmo com os próprios chineses devido ao menor custo para a empresa", resume a gaúcha Sirlei Stocchero, que tem um negócio de acessórios para calçados e retornou ao Brasil em julho, depois de morar por dez anos na China. TendênciaA substituição de trabalhadores estrangeiros com qualificação diferenciada por mão-de-obra local treinada é a tendência a longo prazo em qualquer empreendimento, mas no setor brasileiro calçadista na China houve uma transição acelerada nos últimos tempos. "Eu diria que foi muito mais antecipado em função da crise econômica a tendência normal de redução no número de expatriados", explicou Hsieh Yuan, diretor do China Desk, departamento chinês da consultoria internacional KPMG. Na Camuto Group - uma empresa de desenvolvimento de calçados que embarca mais de 10 milhões de pares por ano e tem escritórios no Rio Grande do Sul e na cidade de Dongguang- a composição da força de trabalho é cada vez mais chinesa. "No início, em 2006, quando abrimos a unidade aqui da China, 80% dos empregados eram brasileiros. Hoje, dos cerca de 150 trabalhadores apenas uns 45 são expatriados, pouco menos de um terço", conta Otávio Oliveira, gerente de operações. Novas fronteirasA alternativa para os brasileiros que não estão mais encontrando emprego na China é redirecionar a carreira para países conhecidos como "novas fronteiras", onde há mão-de-obra barata, mas faltam técnicos qualificados. "É uma janela de oportunidade que se abre para os brasileiros", diz o consultor Yuan. "Já que diversas indústrias estão se deslocando para países como Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia e outros, os brasileiros têm a oportunidade de acompanhar essa mudança", entende o consultor. "Neste caso os trabalhadores chineses não competem com os brasileiros por novas vagas porque não têm o expertise aliado à mobilidade internacional", explica Yuan. No entanto, aventurar-se nas "novas fronteiras", não é garantia de sucesso. "Tenho conhecidos que tentaram a chance em outros países mas não se deram bem. Muitos perderam benefícios e praticamente só vivem para se manter mesmo", lamenta a gaúcha Stocchero.
Hospedagem: UOL Host