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30/09/2009 - 04h43

FMI reduz para US$ 3,4 tri estimativa de prejuízo da crise

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas projeções sobre o tamanho dos prejuízos causados pela crise financeira, em um relatório divulgado nesta quarta-feira.

Alegando que houve uma melhora das condições financeiras desde as ações tomadas por governos de todo o mundo, o fundo estimou que as perdas mundiais causadas pela crise entre 2007 e 2010 devem alcançar em torno de US$ 3,4 trilhões.


Em abril, quando havia divulgado a última edição de seu Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês), o FMI havia estimado em US$ 4 trilhões o tamanho do prejuízo global da crise.

Apesar da melhora, o relatório alertou para "desafios de curto prazo consideráveis" a serem considerados nas estratégias para sair da crise, entre os quais garantir o aumento do crédito para sustentar o crescimento econômico e evitar os arriscados efeitos da elevação do endividamento público.

No setor privado, disse o FMI, embora as instituições financeiras já tenham registrado um prejuízo de US$ 1,3 trilhão gerado por empréstimos não-pagos e a perda do valor de papéis do mercado, mais US$ 1,5 trilhão ainda deve ser reconhecido até o fim de 2010.

"Embora o panorama dos bancos tenha melhorado muito desde o último relatório, em abril, as receitas não devem compensar totalmente as baixas futuras", disse o fundo.

Nos Estados Unidos e na Europa, a deterioração do mercado de imóveis comerciais, que sentiu a crise depois de outros, "está em pleno andamento", observou o relatório.

Já na área imóveis residenciais, apesar de mais amenas, novas quedas são esperadas nos preços dos imóveis, acrescentou o documento.

Emergentes
O relatório destacou que a situação dos países emergentes da Ásia e da América Latina é mais positiva que nos países desenvolvidos.

Segundo o documento, o crédito bancário nesses países se estabilizou nos últimos meses, o que sugere o sucesso das políticas de ação de combate à crise.

"Porém, o aumento no crédito na América Latina permanece lento, porque os bancos privados continuam cautelosos em meio à incerteza em relação à força da recuperação econômica na região e nos Estados Unidos."
O estudo ressaltou as dificuldades de tirar a economia mundial da atual tormenta e conduzi-la para terra firme.

O documento repete lições ressaltadas na semana passada, quando o FMI divulgou preliminarmente dois capítulos deste mesmo relatório. Na ocasião, o fundo recomendou aos países uma espécie de saída coordenada dos mercados, para evitar riscos maiores de sobrecarregar o setor público com os custos da crise.

"A transferência dos riscos financeiros para as autoridades fiscais, combinados com o ônus financeiro dos pacotes de estímulos fiscal, elevou as preocupações com a sustentabilidade das finanças públicas", diz esta edição do documento.

"Será necessário grande cuidado ao retirar a ajuda pública, para evitar uma segunda crise gerada pela saída prematura ou arriscar a credibilidade monetária e fiscal através de uma saída tarde demais."
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