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05/11/2009 - 11h07

Recuperação da economia não é resultado de bolha, diz Mantega

Os bons números recentes da economia brasileira, com a recuperação após a crise econômica internacional, não são consequência de uma bolha especulativa, segundo afirmou nesta quinta-feira em Londres o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ao lado do presidente de Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do governo brasileiro, Mantega participou na manhã desta quinta-feira, na capital britânica, do seminário "Investindo no Brasil", organizado pelos jornais Financial Times, da Grã-Bretanha, e Valor Econômico, do Brasil.

Citando a valorização de 187% no valor em dólar das ações negociadas na Bovespa nos últimos 12 meses - segundo ele a maior entre todas as Bolsas de Valores do mundo -, Mantega disse que o mercado brasileiro vive "uma exuberância, mas que não é uma exuberância irracional, é racional".

O ministro estava se referindo à famosa frase cunhada em 1996 pelo então presidente do Fed, o Banco Central americano, Alan Greenspan, para se referir à excessiva valorização das ações de empresas de tecnologia antes do estouro da bolha em 1999.

"Justamente por não querermos que essa exuberância se torne irracional é que tomamos algumas medidas", afirmou Mantega.

O ministro citou o recente anúncio da cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre as Operações Financeiras) sobre os investimentos estrangeiros em ações e títulos de renda fixa , com o objetivo de conter a entrada excessiva de dólares no país.

"Num primeiro momento, a atração de dólares é positiva, mas no segundo momento é ruim por tirar a competitividade e a atratividade do setor manufatureiro (por causa da excessiva valorização do real, que encarece as exportações)", disse o ministro.

"Não queremos bolhas, não queremos exageros", disse o ministro, citando um alerta recente feito pelo economista Nouriel Roubini, conhecido por ter "previsto" a crise econômica mundial, que disse que a desvalorização do dólar e os juros baixos nos Estados Unidos podem estar criando uma "bolha" de valorização de ativos em países emergentes.

Segundo Roubini, os investidores tomam empréstimos em dólares a juros baixos nos Estados Unidos e aplicam em ativos de países desenvolvidos, ganhando duplamente com uma rentabilidade maior e com a valorização do câmbio. O perigo, segundo ele, é de um movimento de boiada de retorno ao dólar no momento em que a moeda americana parar de se desvalorizar ou quando os juros americanos subirem.

"Acho que essa bolha não é inevitável (como disse Roubini), se tomarmos medidas de moderação", afirmou Mantega.

Competitividade Apesar disso, o ministro admitiu que a moeda brasileira tem atualmente uma forte sobrevalorização em relação às moedas de seus principais parceiros comerciais, mas afirmou que "ainda assim a indústria brasileira mantém sua produtividade e competitividade".

Segundo ele, a competitividade dos produtos brasileiros de exportação poderia ser comparada à dos produtos chineses se não fosse essa sobrevalorização.

A uma plateia de cerca de 200 pessoas, formada basicamente por empresários britânicos e brasileiros, Mantega disse que o Brasil já superou a crise econômica e apresenta ótimas perspectivas de crescimento sustentado nos próximos anos.

"Quando a crise começou, o Brasil tinha uma economia dinâmica crescendo em bases sólidas", afirmou. "Entramos fortes na crise e saímos ainda mais fortes do que entramos." Segundo o ministro, o Brasil está hoje "entre os três ou quatro países que mais estão crescendo na atualidade".

O seminário contou também com a presença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentada pelo mediador do seminário como "ex-radical que chegou ao governo" e "possível candidata à Presidência".

Dilma apresentou os principais projetos de investimento em infraestrutura previstos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e disse que eles são uma boa oportunidade para investidores estrangeiros no Brasil.

Segundo a ministra, o Brasil deixou para trás "25 anos sem políticas de crescimento, de estagnação econômica e de inflação de dois dígitos ao mês", no qual "o governo era parte do problema", para um momento de grandes projetos, que tem o governo como indutor e parceiro da iniciativa privada.

"Os projetos do PAC são um bom exemplo dessa tendência", afirmou a ministra.

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