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18/01/2010 - 10h15

Economia dos Brics brilha, mas não é capaz de transformar o mundo, diz "Financial Times"

O diário britânico "Financial Times" afirma que os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) ainda não são capazes de tomar "a liderança da economia global das mãos dos Estados Unidos e da Europa ocidental".

Em artigo intitulado "Mudando as faces do poder: as estrelas brilham luminosas, mas fracassam em transformar o mundo", o "FT" compara a situação atual da economia global com o cenário após a Segunda Guerra Mundial, "quando o confiante e inovador Estados Unidos tomou o lugar das enfraquecidas e endividadas economias da Europa e refez a arquitetura financeira global".

Para o jornal, o mundo está emergindo da recessão, e este poderia ser um momento "revolucionário em que o centro gravitacional da economia global e seu controle muda de mãos definitivamente".

Mas o 'FT' diz que os países do Bric não estão prontos parra assumir este papel, e aponta duas razões principais para isso: a dependência dos Brics de demanda externa e suas divergências políticas.

Dependência externa
O jornal diz que os países dos Brics "permanecem atrelados a um modelo econômico dependente da demanda externa".

Como exemplo, o "FT" diz que, para enfrentar a crise econômica, a China, ao invés de distribuir crédito para que sua população fosse às compras, optou por investir na produção local. O risco, disse Markus Jäger, analista do Deutsche Bank, ao "FT", é que a China termine com excesso de oferta.

Além disso, o país vem mantendo a cotação de sua moeda baixa em relação ao dólar. Com isso, na última década, a China tornou-se uma economia menos consumidora e mais exportadora, não o contrário.

A reportagem conclui que, apesar de estarem fazendo sua parte na manutenção do crescimento econômico global, os Brics não foram capazes de desenvolver seu mercado consumidor e, desta forma, ajudar o resto do mundo a escapar da crise.

Divergências
Segundo o "FT", os Brics só conseguiram concordar em um tema: a defesa da ampliação dos votos dos países em desenvolvimento no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Apesar de estarem se reunindo constantemente, os líderes das quatro nações não foram capazes de apresentar "um único modelo de gestão econômica" que pudesse ser propagado pelo planeta.

Mais do que isso, a publicação enfatiza as inúmeras divergências que abalam a imagem do grupo.
Como exemplo, o jornal diz que o Brasil critica a baixa cotação da moeda chinesa, pois isso prejudicaria os produtores brasileiros.

Na rodada Doha, a luta do agronegócio brasileiro pela derrubada do protecionismo no setor "bateu de frente com o desejo da Índia de proteger seus pequenos fazendeiros", informa o "FT".

Já na conferência sobre o aquecimento global em Copenhague, em dezembro do ano passado, "a China foi acusada de bloquear um acordo que seria do interesse de muitos países em desenvolvimento".

Em um editorial, na mesma edição desta segunda-feira, o jornal diz que "com poderes deve vir responsabilidade, e o histórico dos Brics até agora é mais de fazer pose do que de diálogo construtivo".


 

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