UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

12/02/2010 - 20h40

Premiê grego diz que plano de ajuda da UE é 'tímido'

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, criticou nesta sexta-feira a resposta da União Europeia à crise que o país atravessa, classificando a reação como "tímida e muito lenta".

"A Grécia não é um superpoder político ou econômico para lutar essa batalha sozinha. Nos últimos meses dessa crise, a UE nos deu apoio político. Mas, na batalha contra os receios e a psicologia do mercado, (a resposta) foi no mínimo tímida", disse Papandreou em uma reunião de gabinete transmitida por diversas redes de televisão em Atenas.

As declarações do premiê foram feitas após a chegada dele de Bruxelas, onde participou de uma reunião com líderes do bloco europeu para discutir um eventual plano de ajuda financeira ao país.

O grupo, no entanto, não ofereceu nenhum tipo de ajuda financeira e se limitou a uma declaração de apoio político e a um compromisso de tomar medidas coordenadas se for preciso.

Papandreou disse que apesar de a Grécia ter recebido uma declaração de apoio, nos últimos meses atrasos e declarações conflituosas agravaram a situação do país.

Nesse sentido, o premiê acusou a Comissão Europeia, os países-membro e o banco central europeu de "falta de coordenação".

Segundo ele, a especulação sobre o país "criou uma psicologia de colapso iminente".

Em um comunicado divulgado após a reunião em Bruxelas, os líderes europeus justificaram a ausência de uma oferta de ajuda financeira no plano de apoio oferecido à Grécia.

Segundo o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a ajuda financeira não estava na agenda "porque o governo grego não pediu tal ajuda".

"Se o governo grego não pediu nenhuma ajuda financeira é porque ele acredita que é capaz de cumprir com suas obrigações", disse ele.

Déficit O déficit público da Grécia, de 12,7% do PIB, é mais de quatro vezes maior do que o permitido pelas regras da zona do euro impostas aos 16 países da União Europeia que adotam a moeda.

Diante desse cenário, o temor de que o país não será capaz de pagar uma dívida de mais de 16 bilhões de euros, que vence entre abril e maio, vem causando preocupação entre os investidores.

Como consequência, o euro sofreu esta semana uma forte desvalorização, e as bolsas de Espanha e Portugal, países que enfrentam problemas estruturais similares aos gregos, despencaram.

Os demais países da zona do euro expressaram o apoio "aos esforços do governo grego e ao compromisso de fazer tudo o que for necessário" para cumprir os objetivos determinados por seu plano de austeridade fiscal.

Um dos pontos desse plano que será observado atentamente pelas autoridades europeias é o compromisso do país de reduzir efetivamente o déficit público em quatro pontos percentuais em 2010.

O programa de austeridade fiscal elaborado pelo governo grego, que inclui medidas como o congelamento dos salários dos funcionários públicos e o aumento da idade de aposentadoria, não conta com a simpatia da população.

Na quarta-feira, o país se viu paralisado devido a uma greve nacional de servidores públicos em protesto contra essas medidas.
Hospedagem: UOL Host