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25/04/2010 - 19h40

Bancos dizem que reforma financeira deve diferenciar emergentes

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), entidade que reúne os grandes bancos globais, disse neste domingo que a reforma do sistema financeiro mundial deve levar em conta as "situações específicas" dos países emergentes, ou corre o risco de ter um impacto prejudicial sobre essas economias.

"A reforma na regulamentação do sistema financeiro global é essencial e nós a apoiamos fortemente", disse Jorge Londoño Saldarriaga, diretor do grupo de trabalho sobre reforma regulatória do conselho de mercados emergentes do IIF.

"As reformas, porém, precisam ser cuidadosamente calibradas tanto em relação às circunstâncias dos bancos em países individuais quanto aos padrões regulatórios que estão em vigor em muitas economias emergentes. Padrões que, em muitos casos, já excedem as exigências mínimas globais", afirmou Saldarriaga, em entrevista coletiva em Washington.

A reforma do sistema financeiro internacional foi discutida ao longo da semana na capital americana, durante a reunião de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

Alguns países emergentes, entre eles o Brasil, vêm defendendo regras diferenciadas, sob o argumento de que, durante a crise econômica mundial, seus sistemas financeiros tiveram um papel menor e foram menos afetados do que os de países ricos.

Esse argumento, porém, vai contra a vontade do FMI de que os países tenham uma ação coordenada.

Padrões conservadores Segundo o IIF, que reúne quase 400 bancos, muitas economias emergentes têm padrões de regulamentação para capital e liquidez mais conservadores do que os de países ricos.

Os banqueiros afirmam que estabelecer novas taxas em sistemas financeiros que já têm taxas altas e normas mais rígidas, como é o caso do Brasil, poderia prejudicar essas economias.

"Os anos recentes viram marcada melhora no desempenho geral e na governança dos bancos em mercados emergentes, que foi chave para sua resiliência durante a crise global e para sua habilidade de continuar a contribuir de maneira significativa nesse período para o crescimento econômico de seus países", disse o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara.

"É essencial que isso seja reconhecido no momento em que se consideram novas propostas regulatórias", afirmou Dallara.
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