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25/04/2010 - 16h30

Bird aprova reforma que dá maior poder de voto a emergentes

O Banco Mundial (Bird) aprovou neste domingo, em sua reunião de primavera em Washington, uma reforma que aumenta o poder de voto de países emergentes e em desenvolvimento na instituição e eleva seu aporte de capital em US$ 86,2 bilhões (cerca de R$ 151,6 bilhões).

Pelas novas regras, os emergentes ganham um aumento de 3,13 pontos percentuais em seu poder de voto, totalizando 47,19%.

Essas mudanças já estavam previstas desde a reunião de outubro do ano passado, na Turquia, e foram endossadas neste domingo pelos 186 países que integram o Bird.

Com a nova divisão, o poder de voto do Brasil no Bird passará de 2,06% para 2,24%.

Legitimidade
"O endosso da mudança no poder de voto é crucial para a legitimidade do Banco", disse o presidente do Bird, Robert Zoellick, em entrevista coletiva após a reunião deste domingo.

A reivindicação dos emergentes por maior poder de decisão, tanto no Bird quanto no FMI (Fundo Monetário Internacional), ganhou força com a crise econômica mundial, na qual esses países sofreram relativamente menos e da qual se recuperaram mais rápido do que as economias avançadas.

"Os países em desenvolvimento são fontes cruciais de demanda para esta recuperação e, com o tempo, podem se tornar múltiplos polos de crescimento. O Banco Mundial deve mudar para reconhecer essas novas realidades", disse Zoellick.

Os emergentes reivindicam 50% do poder de voto. Neste domingo, Zoellick disse que os 47% aprovados são "um passo significativo".

"Eu espero que os países em desenvolvimento obtenham paridade ao longo do tempo", disse o presidente do Bird, ao afirmar que uma revisão da estratégia deve ser feita em 2015.

Capital
Segundo Zoellick, o aporte aprovado neste domingo é o primeiro aumento geral de capital do Bird em mais de 20 anos.

"O capital adicional significa que nós não vamos mais enfrentar a possibilidade de ter de cortar nossos empréstimos neste ano", disse Zoellick.

O Bird também aprovou sua estratégia pós-crise econômica mundial, que inclui o foco nos pobres e vulneráveis, especialmente na África Subsaariana, a criação de oportunidades de crescimento, com atenção especial para agricultura e infraestrutura, e a promoção de ações globais em questões como mudanças climáticas, comércio, agricultura, segurança alimentar, energia, água e saúde.

A nova estratégia prevê ainda o fortalecimento da governança e dos esforços contra a corrupção e a preparação para enfrentar crises futuras.

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