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24/05/2010 - 14h52

FMI recomenda reformas econômicas urgentes à Espanha

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou nesta segunda-feira uma série de reformas econômicas urgentes ao governo da Espanha para que o país possa corrigir problemas considerados "graves" pelo Fundo, como um mercado de trabalho que não funciona corretamente, um grande déficit fiscal e vulnerabilidades no setor bancário.

O conjunto de recomendações foi feito apenas dois dias depois de o governo espanhol ter anunciado uma intervenção no banco regional Cajasur, que apresentava problemas de viabilidade.

No documento divulgado nesta segunda-feira, o FMI afirma que a Espanha necessita de "reformas amplas e de longo alcance" para conseguir lidar com desafios "severos" em sua economia e estimular uma recuperação que ainda tem sido, nas palavras do Fundo, "frágil e sem força".

Junto com Portugal, Irlanda e Grécia, a Espanha faz parte de um grupo de países europeus com grandes déficits em seus orçamentos que passaram a ser conhecidos pelo acrônimo Pigs (sigla formada pelas iniciais em inglês dos quatro países).

Ações 'radicais' Entre as principais recomendações do Fundo estão ações "urgentes" e "radicais" no mercado de trabalho espanhol.

"O mercado de trabalho não está funcionando corretamente. O desemprego está estruturalmente alto e excessivamente cíclico", diz o Fundo, que afirma que o sistema de negociações salariais no país prejudica a flexibilidade das empresas.

Entre as recomendações do Fundo está a redução no valor de pagamentos após demissões (o que seria uma forma de estimular contratações) e a adoção de medidas para evitar demissões injustas.

O documento ainda elogia o pacote de medidas de austeridade anunciado pelo governo espanhol na semana passada com o objetivo de reduzir os gastos do governo, mas afirma que qualquer "deslize" no objetivo de atingir estes ajustes deve ser "evitado de forma agressiva".

"Qualquer deslize em se alcançar estes objetivos fiscais tornarão difícil a diminuição do débito do governo dentro de um cronograma razoável e minará a credibilidade".

Urgência O Fundo ainda recomenda reformas "ousadas" no sistema de previdência espanhol, como o aumento da idade mínima para aposentadoria para 67 anos, de forma a reforçar a sustentabilidade do sistema.

Afirmando que o sistema bancário espanhol ainda está "sob pressão", o Fundo afirma que a legislação do setor deve ser atualizada e que o banco central do país "deve estar pronto para intervir se bolsões de fragilidade permanecerem".

Segundo Andrew Walker, analista de Economia da BBC, esta não é a primeira vez que o Fundo recomenda reformas econômicas ao governo espanhol, mas o documento divulgado nesta segunda-feira tem um senso de urgência muito maior.

Logo após a divulgação das recomendações, o Ministério da Fazenda espanhol afirmou, por meio de um comunicado, que concorda com a avaliação do Fundo.

"A análise que o FMI realizou da situação coincide com a do governo, que estima que a economia espanhola entrou em uma fase de estabilização depois da severa crise dos últimos anos, mas esta recuperação ainda é frágil e o Executivo não deve retardar as reformas estruturais anunciadas", diz o comunicado.
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