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27/06/2010 - 14h22

Países ricos devem se comprometer a reduzir déficits pela metade até 2013

Os países ricos que enfrentam problemas fiscais deverão se comprometer em reduzir seus déficits pela metade até 2013, apesar do risco de que esta medida represente uma desaceleração econômica.

O rascunho do comunicado final da cúpula do G20 (grupo que reúne as principais nações avançadas e em desenvolvimento), a que a BBC Brasil teve acesso, afirma que "as economias avançadas se comprometeram com planos fiscais que vão pelo menos reduzir pela metade os déficits até 2013 e estabilizar ou reduzir a relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto) até 2016".

O texto deverá ser divulgado na tarde deste domingo, ao final da reunião de dois dias em Toronto, no Canadá.

O rascunho do comunicado final da reunião cita a necessidade de dosar as medidas fiscais com esforços para reequilibrar a demanda, evitando assim riscos à retomada do crescimento.

"Os países com graves desafios fiscais devem acelerar o passo da consolidação", diz o texto. "Isso deve ser combinado com esforços para reequilibrar a demanda global e assegurar que o crescimento mundial continue em um caminho sustentável."
O documento reconhece a necessidade de reforçar o crescimento mundial e diz que, para sustentar a recuperação, é preciso "continuar implementando os planos de estímulo existentes".

"O caminho do ajuste deve ser cuidadosamente calibrado para sustentar a recuperação da demanda privada. Há um risco de que ajustes fiscais sincronizados em diversas grandes economias possar impactar negativamente a recuperação", diz o texto.

Velocidade
O principal tema das discussões da Cúpula do G20, iniciada no sábado, é a velocidade da retirada das medidas de estímulo e o tamanho do corte de gastos em alguns países, especialmente da Europa.

Os europeus, atingidos por crises de déficit orçamentário e dívida pública, defendem as medidas de austeridade adotadas por vários países para colocar suas contas em dia.

No entanto, o Brasil, os Estados Unidos e outros países alertam para os riscos de que uma retirada prematura dos estímulos e cortes muito profundo nos gastos possam colocar em risco a recuperação global.

No sábado, antes do início das discussões, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia afirmado que a meta de reduzir o déficit pela metade até 2013 era "draconiana" e "um pouco exagerada".

Segundo Mantega, o Brasil não teria problemas em cumprir essas metas, mas países com déficits altos, como o Japão, enfrentariam dificuldades, e seria preciso buscar uma redução menor, mais factível do que cortar o déficit pela metade.

O ministro disse que os emergentes não devem "carregar nas costas" a retomada do crescimento. De acordo com Mantega, os países ricos, principalmente os exportadores, estariam fazendo ajuste fiscal "às custas" dos emergentes ao impor medidas muito severas em vez de estimular o crescimento.

O ministro lidera a delegação brasileira em Toronto, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua participação na cúpula para acompanhar de perto os esforços de ajuda às vítimas das chuvas no nordeste do Brasil.

A reforma do sistema financeiro mundial é outro tema em discussão em Toronto. O rascunho do documento final da cúpula diz que ainda é necessário mais progressos nesse tema "para aumentar a transparência".

Os líderes discutem também a necessidade de concluir as reformas nas instituições financeiras internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, para que países emergentes, como o Brasil, tenham mais voz e poder de voto.

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