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25/08/2010 - 07h45

Grécia deveria seguir lições econômicas do Brasil, sugere 'FT'

A Grécia deveria aprender com o Brasil "a lição de como um governo de centro-esquerda pode transformar o rigor fiscal em ganho político", segundo afirma um artigo publicado nesta quarta-feira pelo diário britânico "Financial Times".

O texto, assinado pelo editor de economia internacional do jornal, Alan Beattie, comenta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo "em meio ao pânico sobre uma iminente bancarrota do governo e está prestes a deixá-lo luxuriando-se em uma antes inimaginável popularidade nas nuvens".

A Grécia, governada pelo primeiro-ministro socialista George Papandreou, vem há meses enfrentando a desconfiança internacional sobre sua capacidade de honrar com sua dívida.

O jornal comenta que Papandreou "herdou essa confusão de seu antecessor incompetente e mentiroso" e que "resolver essa bagunça pode criar uma narrativa política poderosa de recuperação e redenção".

'Cantos da sereia'

Ao citar o exemplo brasileiro, o artigo observa que quando Lula foi eleito, em 2002, o Brasil havia recém recebido um empréstimo de US$ 30 bilhões do FMI, o maior da história até então, para tentar conter a queda acentuada da confiança sobre a solvência do país.

O texto observa que Lula ignorou os "cantos de sereia" para anunciar uma imediata suspensão do pagamento da dívida ao assumir o cargo e adotou uma dura meta de superávit fiscal primário ainda mais alta do que o FMI pedia.

O jornal relata que em um ano o Brasil havia recuperado a confiança dos investidores internacionais e não se falava mais sobre a possibilidade de uma moratória.

"Os oito anos subsequentes - que, para sermos justos, aproveitaram o trabalho iniciado pelo governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso - constituíram um raro período de sucesso para a democracia social na América Latina", afirma o jornal.

"Ortodoxia fiscal, crescimento estável, alívio da pobreza por meio do emprego e do sistema de benefícios da Bolsa Família: todos são exemplos extremamente úteis em uma região onde o modelo de esquerda alternativo é o populismo brutamontes de Hugo Chávez", diz o artigo.

Chances pequenas

Para o jornal, porém, "tristemente" as chances de o atual governo grego conseguir repetir o sucesso brasileiro são pequenas.

A principal razão para isso é que o Brasil se aproveitou de um período de crescimento econômico mundial e preços de commodities em alta.

A Grécia, por sua vez, tem de fazer suas mudanças "em um ambiente internacional de consumidores relutantes e investidores temerosos", observa o jornal.

"A pouco competitiva Grécia, com baixa produtividade e altos custos por unidade, desastrosamente presa ao euro, está tentando se vender em meio a uma recuperação global claudicante", diz o FT.

O jornal conclui afirmando que provavelmente a Grécia não terá como escapar de declarar uma moratória para reestruturar sua dívida, mas que não deverá fazer isso imediatamente, para ter tempo de resolver outros problemas estruturais de sua economia e para permitir aos investidores se prepararem para isso e evitar assim uma contaminação para o resto da economia europeia ou mundial.

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