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26/05/2009 - 04h34

Fungo misterioso pode reduzir plantações de ópio afegãs em até 80%

EFE
Naweed Haidary.

Cabul, 26 mai (EFE).- Um misterioso fungo que está atacando as plantações de ópio nos campos do sul do Afeganistão, o maior produtor da substância no mundo, deve reduzir a produção da planta entre 30% e 80% este ano, segundo estimativas oficiais.

Os cultivos de papoula (da qual se extraem o ópio e a heroína) afegãos foram atacados por uma doença ainda desconhecida que, segundo suspeitam muitos camponeses, pode ter sido produzida pela fumigação com produtos químicos por parte das tropas estrangeiras.

O porta-voz do Ministério Antidroga, Zalmai Afzali, disse carecer de informações que corroborem as suspeitas dos camponeses.

Afzali explicou à Agência Efe que foram recolhidas mostras dos campos afetados que estão sendo submetidos à análise, para determinar se trata-se de um ataque "químico" ou não.

Com 123 mil hectares dedicados a este cultivo em 2009, o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) anunciou em fevereiro que esperava uma redução este ano, tanto da superfície cultivada como da produção de ópio, por causa das más condições climatológicas durante a época de crescimento da plantação.

O Afeganistão quase monopoliza as exportações de ópio, a matéria-prima da maior parte da heroína que se consome no mundo, e a sua renda serve para financiar até 15% das atividades da insurgência talibã, segundo a UNODC.

Até agora, o Governo do Afeganistão resistiu a permitir a fumigação das plantações, pois elas são o sustento de seus camponeses. Por outro lado, aplicou campanhas de erradicação "manual" e tentou incentivar cultivos alternativos.

O Executivo, lembrou Afzali, resistiu a qualquer tipo de fumigação aérea por parte das forças estrangeiras - uma ideia em que os Estados Unidos sempre insistiram - e "atuará decididamente caso descubra que os campos foram fumigados".

"Não sei o que aconteceu em meus campos, ele foram atacados por algum tipo de doença, quase todas as papoulas morreram", disse à Agência Efe por telefone o camponês Gül Agha, que vive no distrito de Spin Boldak, na província de Kandahar.

Gül não foi testemunha direta de nenhum tipo de fumigação aérea, mas acredita que seus campos foram atacados quimicamente porque, diz, lembra de ter visto vários helicópteros estrangeiros sobrevoando baixo a região na época em que começou a plantar.

O fungo atacou as plantações das duas províncias de maior atividade insurgente, Kandahar e Helmand, no sul do país.

A UNODC constatou o forte vínculo entre o cultivo de ópio e a insurgência: se cultiva ópio em 80% dos povoados onde as condições de segurança são ruins, contra 7% das localidades consideradas seguras.

Helmand é a província com maior produção, uma das mais extensas do país, com clima mais propício e maior presença talibã.

As autoridades afegãs, no entanto, recusam uma solução como a fumigação porque pode afetar também cultivos "legítimos", além de deixar sem sustento os camponeses que carecem de alternativas.

Em seu lugar, as autoridades afegãs optaram, até agora, pela destruição dos cultivos 'in situ', uma atividade feita por terra por quadrilhas que batem a flor com paus e destroem sua corola, e que encontram forte resistência dos camponeses.

Em 2007, o Governo conseguiu destruir 27 mil hectares de papoula com essa prática.

Esse ano foi registrado um pico de produção, com 193 mil hectares cultivados, que passaram para 157 mil em 2008 e 123 mil no ano passado.

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