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10/06/2009 - 14h20

Estados alemães com fábricas da Opel se resignam a buscar ajuda sozinhos

EFE
Berlim, 10 jun (EFE).- Os estados federados alemães com fábricas da Opel se resignaram hoje a buscar sozinhos uma solução para socorrer a montadora, já que a chanceler Angela Merkel aceitou a rejeição de sua coalizão de apresentar as ajudas públicas solicitadas pela filial da General Motors.

Os líderes dos "Länder" - estados federados alemães -, que têm fábricas da Opel saíram de sua reunião com Merkel com as mãos abanando no que se refere a recursos, e comprometidos a estudar alternativas, um dia depois que o ministro da Economia, Rainer Brüderle, rejeitou o pedido de socorro da empresa no valor de 1,1 bilhão de euros.

A reunião na Chancelaria foi convocada após fortes rixas entre o Partido Liberal (FDP) de Brüderle e Merkel, que respondeu ontem ao pronunciamento de seu ministro declarando que não tinha dado a última palavra a respeito.

A imprensa alemã trouxe à tona especulações sobre um suposto "Plano B" com a participação do ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, correligionário de Merkel, o que entraria em uma clara linha de confronto dos democratas-cristãos da chanceler com seu parceiro liberal.

Horas depois Merkel admitiu, em entrevista coletiva com representantes dos "Länder" para falar de fundos de Educação, que não há possibilidades de uma participação direta de seu Governo na Opel.

"O Governo federal não pode assumir novos compromissos nessa questão", afirmou laconicamente, um dia depois de ter dado esperanças e admitido a divisão de opiniões em sua coalizão a respeito da linha de Brüderle.

O líder do FDP, vice-chanceler e ministro de Exteriores, Guido Westerwelle, saiu nesta quinta-feira em defesa de Brüderle, ao assegurar que ele procedeu corretamente. Westerwelle afirma que a General Motors tem liquidez e não cabe, portanto, ao contribuinte arcar com os custos do resgate.

O secretário-geral do FDP, Christian Lindner, se expressou em termos parecidos e ressaltou que agora corresponde a Merkel resolver a situação.

Enquanto a chanceler e seus sócios acrescentavam um novo desentendimento a lista de diferenças - tanto em matéria fiscal como sanitária -, que persiste no Governo, os quatro líderes dos "Länder" que tem fábricas da Opel saíram da reunião resignados a ter de atuar sozinhos.

"Estamos todos amargamente decepcionados", disse o chefe do Governo da Renânia-Palatinado , o social-democrata Kurt Beck, após explicar que o encontro tinha terminado sem que se alcançasse um acordo para socorrer a Opel com a ajuda do Governo de Berlim.

Os quatro líderes dos Länder apontaram à existência de "outras possibilidades" e instrumentos a "estudar" para ajudar a Opel em seu processo de reestruturação, embora não tenham fornecido detalhes sobre essas alternativas.

Até agora se partia da suposição de que a divisão do financiamento ia ficar em 46% para Berlim, 29,1% para Hesse - onde está a central da Opel - e o resto ia ser assumido pelos outros estados com fábricas da montadora.

Como o 'não' a ajuda estatal, a Opel mantém o plano de suprimir 8,3 mil dos seus 48 mil postos de trabalho na Europa.

"Sei que há muitos empregos em perigo, mas como ministro da Economia tenho que defender os princípios da economia social de mercado e o socorro a Opel distorceria a concorrência", disse Brüderle ontem, ao divulgar a decisão.

No entanto, para o ministro prevalece o fato de que a GM dispõe de uma liquidez de pelo menos 10 bilhões de euros e pode sanear a Opel com seus próprios meios.

Além disso, a ajuda solicitada pela filial da GM deveria sair de um fundo especial para empresas afetadas pela crise financeira, e os problemas do fabricante de automóveis têm uma origem diferente.

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