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25/06/2009 - 08h18

Sócrates diz que sugeriu a CGD votar contra oferta da Telefónica pela Vivo

EFE
(atualiza novas informações) Lisboa, 25 jun (EFE).- O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, afirmou hoje que o Estado luso deu indicações ao banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD) para votar contra a oferta da Telefónica a Portugal Telecom (PT) pela operadora brasileira Vivo.

A posição de Sócrates foi anunciada durante o debate quinzenal do Parlamento português em resposta a uma pergunta do principal partido de oposição, o centro-direitista Partido Social Democrata.

O chefe de Governo português assegurou que o objetivo do Executivo é que haja uma empresa portuguesa com dimensão internacional que permita desenvolvimento de projetos de engenharia, industriais, inovação e concentração de investimentos na área de pesquisa.

Desde 2 de junho, a Telefónica oferece 6,5 bilhões de euros para assumir 100% da Brasilcel, a empresa com a qual a PT e a Telefónica controlam juntas 60% da Vivo, e a empresa portuguesa decidiu levar a proposta em 30 de junho a sua assembleia geral.

Os principais acionistas da PT, depois que a Telefónica vendeu nesta semana 8% de sua participação, são o grupo financeiro português Espírito Santo (7,99%); o fundo americano Brandes Investment Partners (7,89%); a própria CGD (7,30%); e o conglomerado português Ongoing (6,74).

Sócrates não se pronunciou, no entanto, sobre a 'golden share', a "ação de ouro", com direitos especiais de veto que mantém o Estado português na PT.

O presidente da operadora lusa, Zeinal Bava, já afirmou que a oferta da Telefónica pela Vivo "não é um assunto de 'golden share'.

A estratégia da empresa espanhola no negócio da Vivo causou mal-estar entre os dirigentes da PT e o próprio Bava classificou de "traição" a forma como a multinacional espanhola atuou.

Depois que a Telefónica se desfez de 8% de suas ações na PT - agora só tem 2,02% -, foi divulgado que o banco suíço UBS e o gerente americano TPG-Axon Capital tinham reforçado sua posição na empresa, com 5,84% e 4,24%, respectivamente.

Fontes do mercado especularam que as duas instituições, que juntas já possuem 10,08% da PT, podem ser "aliadas" da Telefónica uma semana antes de os acionistas da PT se pronunciarem sobre a oferta da empresa que dirige César Alierta.

Além disso, Portugal Telecom informou que a Telefónica realizou três contratos de cobertura (equity swaps) sobre ações da operadora lusa por um total de 8% do capital, dos 10% que tinha.

Bava assinalou que a operação da Telefónica não parece uma "venda efetiva" e deixou nas mãos do regulador luso decidir sobre este aspecto.

A Telefónica respondeu e assegurou que nem tem opções para recomprar as ações que vendeu da PT nem há acordo sobre o sentido do voto dos compradores na junta onde se decidirá sobre a oferta da espanhola pela Vivo.

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