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26/07/2009 - 21h29

Atuação em vazamento derruba executivo-chefe da BP

EFE
Londres, 26 jul (EFE).- O executivo-chefe da BP, Tony Hayward, deixará o cargo em outubro enquanto a companhia petrolífera britânica tenta reconstruir sua reputação, duramente abalada após o vazamento de petróleo no Golfo do México.

Segundo veículos de imprensa do Reino Unido, mas sem confirmação por parte da companhia, a reunião realizada nesta tarde em Londres pelo conselho de administração da BP terminou com a decisão de liquidar em três meses os 28 anos de carreira de Hayward na empresa.

A BP disse à Agência Efe que não emitirá nenhum comunicado sobre o assunto hoje, mas fontes da empresa citadas pelo canal "BBC" apontaram o americano Bob Dudley, atualmente à frente das operações de limpeza da empresa no Golfo do México, como o homem mais cotado para substituir Hayward.

Ironicamente, há três anos, logo após assumir o cargo, Hayward afirmou que seus principais objetivos seriam a "segurança" e a "confiabilidade", dois dos motivos pelos quais terá que abandonar a posição.

Embora a nomeação de Hayward como executivo-chefe em 2007 tenha sido uma decisão popular no ambiente da empresa, sua percepção pública mudou após a explosão, em 20 de abril, da plataforma petrolífera "Deepwater Horizon", que afundou dois dias depois no Golfo do México.

O incidente deixou 11 mortos e é considerado como um dos desastres ecológicos mais graves da história dos Estados Unidos.

Atacado por diferentes setores, a atuação de Hayward na crise não convenceu e o próprio presidente americano, Barack Obama, criticou publicamente as decisões do executivo-chefe da BP frente ao desastre.

Nos últimos dias, a imprensa britânica fez conjeturas sobre a iminente saída deste executivo de 53 anos para restabelecer a maltratada reputação da BP.

Hayward tampouco convenceu os membros do Congresso americano com quem se reuniu em junho e diante dos quais não respondeu como se esperava às perguntas relacionadas ao incidente no Golfo do México.

Diferentes veículos de imprensa esperam que a BP anuncie amanhã uma reserva de US$ 28,133 bilhões para cobrir os custos da estrutura de contenção do vazamento, as indenizações correspondentes e as multas que tiver que pagar, o que resultará em grandes perdas para o segundo trimestre do ano.

Além disso, a imprensa americana considera que a empresa procura agora uma nova estratégia para se defender de uma eventual ameaça de compra por parte de grupos como Exxonmobil ou Shell.

O certo é que, nos últimos meses, as ações da BP perderam valor. Em junho, seus títulos chegaram ao seu nível mais baixo desde agosto de 1996.

No último dia 12, a BP informou que o custo do vazamento chega a US$ 3,5 bilhões. Segundo a companhia, 46 mil pessoas e 6.400 navios participaram dos trabalhos de limpeza na área afetada.

Apesar disso, a BP ainda insiste que é uma companhia forte, capaz de enfrentar a crise, graças à geração de dinheiro e às facilidades bancárias.

Enquanto a companhia tenta reconstruir sua imagem, o Governo americano indicava ontem mesmo que a nova tentativa para vedar o poço do vazamento tinha sido adiada e começaria na primeira semana de agosto.

Inicialmente, essa operação de vedação, que contempla a injeção de uma mistura de cimento e lodo pesado por meio da estrutura de contenção, deveria começar esta semana.

No entanto, a tempestade tropical "Bonnie", que passou neste fim de semana pela zona afetada, forçou uma mudança de planos.

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