UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/08/2009 - 12h53

A.Latina atravessa 'boom' econômico, mas com cautela, segundo a FGV

EFE
Alba Fernández Candial.

Rio de Janeiro, 18 ago (EFE).- A América Latina experimenta um dos climas econômicos mais favoráveis da última década, embora essa tendência positiva deva ver analisada com precaução, segundo o Centro de Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), que divulgou hoje um relatório sobre a região.

"A recuperação (da crise econômica mundial) está garantida, mas com cautela: vai produzir-se de forma lenta e mesmo assim é preciso ser cauteloso", advertiu Lia Valls, coordenadora do IBRE, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo um estudo publicado hoje, em conjunto com o Instituto de Pesquisa em Economia da Universidade de Munique (Alemanha), os indicadores econômicos trimestrais colocam a América Latina em uma fase de 'boom' econômico.

O Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina, média entre o Índice da Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE), foi seis pontos em julho em uma escala que vai até nove.

Dentro da série histórica, o valor só é comparável ao registrado em abril de 2000 e foi superado apenas em outubro de 1997 (6,3 pontos), em um momento de estabilização macroeconômica e reformas de abertura comercial na região.

Lia disse que, depois do golpe nas economias mundiais pela crise global, o ICE caiu a seu nível mais baixo em janeiro de 2009 (2,9 pontos), mas, desde então, a percepção sobre a economia latino-americana não parou de crescer.

"Foi uma recuperação muito mais rápida do que se imaginava", disse a coordenadora do ICE, que acrescentou que, apesar de as expectativas de crescimento para a região terem diminuído, o IE para a América Latina caiu "bem menos" que para o resto do mundo.

A avaliação da situação atual na América Latina aumentou de 4,7 para 5,8 pontos, enquanto as expectativas diminuíram ligeiramente, de 6,4 para 6,2, embora a maioria dos países tenha registrado valores que apontam para uma trajetória descendente, que começou em outubro de 2009 em alguns casos e em janeiro de 2010 em outros.

Lia destacou o papel de países como o Brasil, que continua liderando a região em nível macroeconômico; o México, o único que melhorou suas expectativas de crescimento; e o Chile, que obteve o maior nível de expectativas (7,8 pontos).

No caso do Brasil, a especialista advertiu que, apesar de sua situação atual (8,4 pontos), o país só é superado pelo Peru (8,6). A maioria dos estudos realizados até agora apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 será menor que o deste ano, para o qual o Governo espera uma expansão de 6,5%.

No outro extremo da balança estão Bolívia, Equador e Venezuela, cujos valores de clima econômico os colocam em uma posição desfavorável (abaixo dos 5 pontos) e suas economias estão todas em recessão.

No caso da Europa, a coordenadora do IBRE destacou que a tendência econômica não seguiu o rumo previsto pela maioria dos analistas, já que a crise na Grécia não se estendeu pelo restante dos mercados do continente e a situação geral melhorou.

"Não aconteceu o que esperávamos", reconheceu Lia, que assegurou que a evolução da economia europeia se deve principalmente à trajetória positiva da Alemanha, "que arrasta com ela o resto dos países europeus".

Segundo o relatório, o clima econômico dos Estados Unidos caiu de 5,5 para 5,2 pontos; assim como o do Japão, de 4,9 para 4,6, valores que foram influenciados por uma importante queda no índice de expectativas.

O ICE sobre a economia da China caiu um ponto durante o último trimestre, para cinco, entrando em uma fase de declive, já que tanto sua situação atual quanto as expectativas de melhora pioraram.

Apesar das tímidas mostras de melhora, os especialistas afirmam que o cenário de dúvidas permanece e que a incerteza econômica faz com que o processo de recuperação se desacelere.

"Trata-se de expectativas frustradas, mas no bom sentido", concluiu Lia, que afirmou que o cenário internacional não piorou tanto quanto os analistas tinham previsto e que "se não há surpresas negativas, cabe ser otimistas".
Hospedagem: UOL Host