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15/09/2009 - 10h48

Pequenos agricultores do Nordeste enxergam futuro nas cooperativas

Alba Fernández Candial.

Mirandiba (Pernambuco), 15 set (EFE).- Pequenos agricultores do Nordeste veem nas cooperativas uma forma de superar os efeitos da escassez de chuvas e da forte concorrência de empresas agrícolas.

A associação Conviver, situada em Mirandiba, um remoto município do semi-árido de Pernambuco, é um exemplo de cooperativa que organiza os agricultores para que possam vender seus produtos a um preço justo e obtenham o máximo rendimento de suas colheitas.

Mirandiba, situado 423 quilômetros ao oeste de Recife, tem cerca de 15 mil habitantes, a metade deles camponeses cuja única renda provém do cultivo de alface, mandioca, beringela e frutas.

"Há uma maquinaria nacional para enfrentar e os agricultores não têm muita experiência com isso", reconhece Dorivaldo de Sá, conhecido como 'Vavá', coordenador da Conviver.

Segundo 'Vavá', os pequenos agricultores enfrentam muitas dificuldades para vender seus produtos, pois é impossível concorrer com os preços das empresas que monopolizam o mercado.

Com apoio e assessoria da ONG internacional ActionAid, a Conviver conseguiu entrar no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Fome Zero, pelo qual o Governo Federal compra os produtos de pequenos agricultores e os distribui nas escolas públicas da região.

Graças às subvenções e ajudas estatais, 60% das 468 famílias inscritas no programa conseguiram construir cisternas caseiras, além de receber orientação para obter o máximo rendimento dos cultivos.

No entanto, a dura concorrência não é o único obstáculo dos agricultores, que também enfrentam a recorrente escassez de chuvas no sertão pernambucano.

Em Mirandiba, como em boa parte do Nordeste, os agricultores dependem dos caminhões-pipa do Exército, que aparecem quando podem.

Durante a época de seca, entre maio e novembro, a colheita se reduz drasticamente e, por isso, alguns acabam migrando a zonas agrícolas mais produtivas.

Cansados de depender das condições meteorológicas para sobreviver, muitos habitantes do Nordeste abandonam a região para trabalhar com 'bicos' no Sudeste.

Para combater o êxodo, a Prefeitura de Mirandiba apoia a iniciativa da Conviver. "A agricultura familiar é a base de tudo e queremos recuperar um município que o povo considera totalmente destruído", declarou à Agência Efe o prefeito Bartolomeu Tiburtino.

Ele reconhece que ainda há muito a fazer antes de pensar nas estratégias de expansão do mercado agrícola de Mirandiba.

Entre elas estão a reforma das precárias escolas rurais e a compra de frigoríficos para armazenar as frutas dos camponeses.

Apesar do avanço que representou para a vida dos agricultores, o PAA também tem desvantagens, como o excesso de burocracia para ter acesso às ajudas e o limite de produtos que podem ser vendidos ao programa.

Por esse motivo, a cooperativa procura formas de melhorar as condições daqueles que não querem depender unicamente de programas sociais e desejam industrializar a produção.

Alguns planos incluem contatos com fabricantes de sorvetes para vender diretamente a polpa da fruta, ou com a Petrobras para estabelecer grandes cultivos de papaia, cujo óleo serve para produzir biocombustíveis.
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