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29/10/2009 - 15h53

Economia dos EUA volta a crescer após quatro trimestres em queda

EFE
Washington, 29 out (EFE).- Após quatro trimestres consecutivos de queda, a economia dos Estados Unidos voltou a crescer com força no terceiro trimestre de 2009, avançando 3,5%, estimulada pelos gastos dos consumidores e a injeção de dinheiro público.

"O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é um sinal animador de que a economia dos EUA se movimenta na direção correta", afirmou Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

Este é o primeiro de três cálculos do Governo americano sobre o PIB. O número será reajustado nas próximas semanas na medida em que novos dados mais precisos sejam conhecidos.

Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, o Governo dos EUA e o Federal Reserve (Fed, banco central americano) despejaram centenas de bilhões de dólares com urgência para impedir um colapso do sistema financeiro e reativar a economia.

Segundo Romer, o plano de estímulo econômico iniciado em fevereiro e que envolveu US$ 787 bilhões contribuiu entre três e quatro pontos percentuais para o crescimento do PIB no terceiro trimestre deste ano.

Josh Bivens, analista do grupo independente Economic Policy Institute em Washington, afirmou que, "nos seis meses antes do impacto da lei de estímulo, a economia (americana) se contraía a uma taxa anualizada de 5,9%".

"Nos últimos seis meses, a economia cresceu a uma taxa de 1,4%", acrescentou.

"Embora seja prematuro declarar que a missão foi cumprida, fica muito claro que a lei de estímulo foi crucial para tirar a economia de sua queda para encaminhá-la ao crescimento", disse Bivens.

Apesar de o índice de desemprego estar muito perto dos 10% nacionalmente e próximo a 15% em alguns estados, o gastos dos consumidores, que equivale a quase 70% da atividade econômica dos EUA, aumentou 3,4 % no terceiro trimestre e contribuiu com 2,36 pontos percentuais ao PIB.

O cálculo inicial do PIB superou a expectativa da maioria dos analistas, que apontavam um crescimento de 3%.

Nos últimos 12 meses, a economia mundial encolheu 2,3%, segundo cálculos iniciais divulgados hoje.

Entre junho de 2008 e junho de 2009, a atividade econômica americana sofreu contração de 3,8%, o pior desempenho em sete décadas.

A recessão começou nos EUA em dezembro de 2007 e as quatro contrações consecutivas até o segundo trimestre deste ano marcam o período mais longo de diminuições da atividade econômica desde 1947, ano em que o país iniciou o registro trimestral de dados.

Segundo o Governo americano, a atividade econômica se contraiu a uma taxa anualizada de 6,4% no primeiro trimestre e de 0,7% no segundo.

O relatório de hoje inclui outro dado positivo: apesar das enormes injeções de dinheiro no sistema econômico e quase um ano de taxa básica de juros entre zero e 0,25%, a inflação foi moderada entre julho e setembro.

O núcleo da inflação no índice de preços em despesas dos consumidores, indicador que exclui os preços de alimentos e combustíveis, foi de 1,4% no terceiro trimestre e de 2% no anterior.

O Comitê de Mercado Aberto do Fed, órgão que dirige a política monetária dos EUA, se reunirá nos dias 3 e 4 de novembro. Levando em conta que o desemprego continua alto, a maioria dos analistas espera que a entidade mantenha as taxas de juros sem modificações.

Outro componente do PIB, o setor da habitação, teve entre julho e setembro seu primeiro aumento desde o final de 2005.

O investimento residencial fixo cresceu 23,4%, o maior crescimento desde 1986.

O gasto do Governo americano aumentou 7,9% no terceiro trimestre após crescer 11,4% nos três meses anteriores.

Por sua parte, as despesas dos Governos estaduais e locais caíram 1,1% entre julho e setembro após um aumento de 3,9% no trimestre anterior.

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