Washington, 3 nov (EFE).- Os juros se elevarão em até dois pontos percentuais em nível mundial nos próximos anos devido ao aumento da dívida dos países ricos, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI), que pediu planos para minimizar a situação.
Segundo o Fundo, a alta prevista dos juros encarecerá o custo dos empréstimos públicos e privados tanto nos países avançados como nas nações em desenvolvimento, o que freará o crescimento a médio prazo.
O aumento dos juros será impulsionado por uma dívida pública que chegará a 118% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 nos países ricos, explicou o FMI em um relatório sobre a situação orçamentária dos membros do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).
Carlo Cottarelli, diretor do departamento de assuntos fiscais da entidade, ressaltou que os países que aprovaram medidas de estímulo deveriam mantê-las em 2010.
"A recuperação é ainda frágil e é resultado em parte desse apoio, por isso seria prematuro retirar o apoio fiscal", explicou em coletiva de imprensa.
Assim, o FMI pediu aos Governos em seu relatório que "desenhe e comunique, atualmente, estratégias críveis de saída" de seus programas de estímulo.
De acordo com o Fundo, não basta o anúncio de quando retirarão essas medidas, mas os Governos dos países avançados devem considerar aumentos de impostos equivalentes a 3% do PIB.
O FMI também defendeu um congelamento da despesa per capita, excluídas as em pensões e saúde, que aumentarão inevitavelmente com o envelhecimento da população, e pediu reformas para manter o crescimento dos desembolsos nessas áreas no mesmo ritmo do aumento do PIB.
O objetivo deve ser uma melhora do déficit primário (o saldo das contas públicas antes do pagamento dos juros da dívida) equivalente a 10,5% do PIB na próxima década e mantê-lo nessa margem por outros dez anos mais.
Com isso, a dívida dos países avançados cairá de 114% do PIB em 2014 a 60% em 2030, que era a média antes da crise.
Em 2009, os membros do G20 terão um déficit coletivo de 7,9% do PIB, causado pela recessão e as medidas de estímulo econômico aplicadas.