UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/11/2009 - 14h23

Ahmadinejad mostra-se disposto a diálogo com Ocidente e critica sanções a Irã

Baku, 18 nov (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou nesta quinta-feira que está disposto a conversar com o Ocidente, e aproveitou a oportunidade para qualificar as sanções internacionais contra seu país como "picadas de mosquito".

O governante iraniano explicou que está aberto para diálogos desde que sejam justos.

"Devido ao espírito explorador, alguns membros do grupo tentam ganhar vantagens nas negociações", disse Ahmadinejad em entrevista coletiva em Baku, capital do Azerbaijão, onde participou da cúpula dos países do Cáspio.

Ahmadinejad ressaltou a necessidade das reuniões do Grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) e pela Alemanha, priorizarem o respeito mútuo.

O chefe de Estado destacou que atualmente não há comum acordo nem sequer sobre o lugar onde serão realizadas as negociações, que deveriam começar em 5 de dezembro.

"Nós propusemos que fosse em Istambul, mas eles propõem realizá-las em Genebra", afirmou o presidente iraniano.

Ele declarou que se o Ocidente quer alcançar resultados positivos durante as negociações, o grupo deve deixar de pensar como inimigo.

"Alguns deles acham que podem conseguir resultados nos pressionando. Deveriam mudar seus velhos métodos. Caso contrário, os resultados serão os mesmos de sempre", destacou.

O presidente iraniano disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não representa uma ameaça para o Irã e que o bloco militar não será capaz de cumprir nenhum papel global no futuro.

"Já passou o tempo em que o potencial militar era usado para resolver assuntos políticos", disse Ahmadinejad, quem destacou recentemente que seu país não cederá no que considera seu direito de desenvolver energia atômica.

Ele também criticou as sanções contra seu país.

"Isto pôs o Irã em condições desvantajosas", ressaltou Ahmadinejad, quem acrescentou: "Os seis meses que passaram provaram a inutilidade do embargo".

O presidente comparou as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra seu país a uma "picada de mosquito" e acrescentou que, apesar da imposição, a economia iraniana continuou crescendo.

Por sua vez, no marco da cúpula de países do Cáspio, Ahmadinejad discutiu nesta quinta-feira sobre o problema nuclear com o presidente russo, Dmitri Medvedev, quem ressaltou a importância do caráter pacífico.

O encontro, que foi realizado a portas fechadas, foi "franco" e nem o líder russo nem o iraniano "aprofundaram os assuntos mais delicados", segundo Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin.

Em meados de outubro, o presidente russo anulou um contrato de venda de sistemas de mísseis antiaéreos e proibiu a provisão de armamento pesado ao Irã conforme as sanções internacionais.

A decisão rendeu duras críticas por parte do próprio Ahmadinejad, quem acusou o Kremlin de aliar-se com o maior inimigo de Teerã há 30 anos, os EUA.

Medvedev, quem ressaltou que em breve o Irã seria capaz de fabricar armas atômicas, sugeriu a Teerã que coopere com a comunidade internacional para que seu programa atômico seja transparente.

De qualquer forma, o Kremlin é partidário de manter os canais abertos de diálogo com o Irã, ao considerar que a Rússia, como país vizinho, também é responsável pelo impacto do programa nuclear iraniano.

No plano bilateral, segundo Prikhodko, o Kremlin "está interessado em promover as relações econômicas e comerciais".

"Um exemplo de cooperação frutífera entre Moscou e Teerã é a construção da usina nuclear de Bushehr, cuja obra foi realizada sob o pleno controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", disse.

Bushehr, a primeira usina atômica iraniana, foi iniciada por engenheiros russos em agosto e começará a gerar eletricidade em dezembro.
Hospedagem: UOL Host