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26/11/2009 - 09h56

Cobertura da imprensa sobre pressões a Portugal prejudica dívida

Lisboa, 25 nov (EFE).- As notícias publicadas em jornais que apontam que Portugal sofre pressões de Bruxelas e de vários países europeus para que aceite um resgate financeiro, prejudicou ainda mais sua dívida, cujos juros voltaram a ultrapassar 7%.

O Governo português, cujo orçamento do Estado para 2011 será discutido nesta sexta-feira no Parlamento, acordou logo cedo com a notícia que estava sendo pressionado pelo Banco Central Europeu e várias capitais comunitárias para que siga os passos de República da Irlanda e Grécia e peça ajuda financeira à União Europeia (UE).

A notícia, baseada na edição alemã de um jornal britânico foi reproduzida por outro periódico também do Reino Unido que rapidamente se espalhou pelos sites e emissoras de rádio e televisão portugueses.

Embora o próprio jornal tenha publicado em seguida que o Governo português negava as pressões e várias chancelarias europeias, inclusive o presidente da Comissão, José Manuel Durão Barroso, desmentiram o assunto, o dano à dívida portuguesa já estava feito.

Um analista português do setor financeiro que pediu o anonimato, comentou que não é a primeira vez que o nervosismo do mercado castiga seu país por causa de notícias infundadas.

Há mais de um ano, Portugal foi alvo das piores previsões na imprensa britânica e americana sobre a fraqueza de sua economia.

Já os mercados parecem dispostos a transformar em realidade seu resgate financeiro, que o Governo luso considerava um exagero há poucos meses.

O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu vários vezes a salubridade da economia de seu país, e na semana passada voltou a lembrar que os dados macroeconômicos, como o déficit, crescimento e desemprego estão na média europeia e foram melhores durante os piores momentos da recente crise financeira mundial.

Vários especialistas e autoridades portuguesas e europeias concordaram que o principal problema do país não é sua situação econômica, mas a desconfiança dos mercados.

A especulação financeira sobre Portugal multiplicou o custo de seu financiamento, tanto público como privado.
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