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21/12/2009 - 16h50

Setor de luxo nos EUA enfrenta semana decisiva para fechar um ano difícil

EFE
David Valenzuela Nova York, 21 dez (EFE).- O setor de luxo nos Estados Unidos enfrenta a partir de hoje uma semana decisiva, na qual muitos consumidores aproveitam para fazer as últimas compras natalinas e em que muitas companhias esperam melhorar seus resultados em um ano marcado pela crise.

Apesar de a primeira grande tempestade de neve da temporada ter feito com que muitos consumidores do leste do país ficassem em casa durante o fim de semana, o setor de luxo espera que os dias anteriores ao Natal completem uma campanha que seja mais positiva que a de 2008, a pior em décadas.

"Esperamos fechar bem a temporada", disse à Agência Efe Kevin Dyson, um dos vice-presidentes da loja Barneys, em Nova York, em entrevista na qual reconheceu que 2008 foi um ano que preferiria esquecer e não tomá-lo como referência, já que os resultados da companhia foram afetados pela crise.

Dyson, que explicou que a famosa loja, situada na cotada Madison Avenue, prefere ter em mente os números do Natal de 2007, se mostrou "otimista" diante da atitude de seus clientes e assegurou que os últimos meses foram "muito promissórios", uma tendência que espera repetir no fechamento de dezembro.

"Durante esta campanha recebemos a visita de muitos clientes. Detectamos uma energia diferente à respirada, por exemplo, em abril ou maio. Notamos os clientes mais dispostos a gastar e a encontrar algo único que não possam encontrar em outro lugar", apontou o vice-presidente da Barneys.

Desde o início da crise, a Barneys optou, segundo Dyson, por evitar os descontos que protegeram alguns de seus concorrentes, como a Saks Fifth Avenue, que, este mês, anunciou que suas vendas caíram 18,5% nos 11 primeiros meses do ano frente a 2008.

A tendência de queda das compras de artigos de luxo mostrada pelos clientes da Saks é, no entanto, generalizada em um setor que, apesar de registrar bons resultados em setembro e outubro, viu suas vendas caírem 7,3% em novembro, segundo dados da entidade de análise SpendingPulse.

"A verdade é que ainda temos que ser cautelosos", disse à Efe o presidente da associação de comerciantes da Madison Avenue, Matt Bauer, que reconheceu que a crise foi notada em uma região dominada por boutiques como as de Calvin Klein, Chanel, Carolina Herrera, DKNY, Gucci, Coach, Hermès ou Ralph Lauren.

Bauer assegurou, no entanto, que "os consumidores têm mais cuidado na hora de gastar, porque querem assegurar-se que o que compram é realmente valioso e que esse grande presente de Natal tem uma qualidade duradoura e não só o nome de uma marca".

No entanto, a crise pareceu não importar o grupo francês Louis Vuitton.

A marca de luxo mais valiosa do mundo, segundo a revista "Forbes", parece apostar igualmente pelo mercado americano e abriu na semana passada, em Las Vegas, sua maior loja no país, com uma superfície de mais de 1.300 metros quadrados.

"Por enquanto, tudo vai bem. Estamos satisfeitos com os resultados que tivemos até agora", disse, recentemente, o executivo-chefe da companhia francesa na América do Norte, Daniel LaLondel, em uma entrevista à cadeia "CNBC", na qual evitou divulgar números concretos sobre suas vendas nos Estados Unidos.

Essa aposta da companhia francesa, pertencente ao gigante Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), poderia ser entendida como um sintoma de reativação em um setor no qual, no entanto, as cadeias de joalherias Tiffany e Zales não parecem passar por um bom momento.

Tiffany, com sede em Nova York, anunciou que nos primeiros nove meses do ano suas vendas caíram 14% frente a 2008, enquanto o faturamento da Zales se reduziu 18,6% só em novembro.

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