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22/12/2009 - 00h10

Taiwan e China iniciam quarta rodada de negociações

Taichung, 22 dez (EFE).- Taiwan e China iniciaram hoje, no meio de protestos, sua quarta rodada de negociações pragmáticas, das quais Pequim espera uma aproximação política e Taipé vantagens econômicas e o relaxamento do cerco diplomático chinês. "As negociações anteriores representaram conquistas importantes rumo à paz, estabilidade e prosperidade no estreito de Formosa, graças ao consenso de 'deixar de lado as disputas políticas'", disse o negociador taiuanês, Chiang Ping-kun, presidente da Fundação Intercâmbios do Estreito. O chefe da delegação negociadora chinesa, Chen Yun-lin, disse que os pactos assinados em rodadas anteriores "contribuíram consideravelmente para melhorar os laços entre as duas partes... E o desenvolvimento pacífico das relações é um consenso generalizado". Os protestos fora da sede das negociações no Hotel Windsor de Taichung não chegaram à violência da primeira visita de Chen, em novembro de 2008, mas mostram a divisão social em relação aos laços com a China. Nesta rodada, só está prevista a assinatura de três acordos menores de cooperação pesqueira, inspeção, e a quarentena de produtos agrícolas, cooperação em padrões, metrologia e inspeção. O objetivo dos protestos é a suposta falta de transparência nas negociações e um planejado Acordo Marco de Cooperação Econômica (ECFA), similar a um pacto de livre-comércio, que o Governo de Taipé espera assinar na quinta rodada de negociações, prevista para meados de 2010. Enquanto o Governo assegura que a normalização dos laços econômicos e de transporte com a China é essencial para evitar o isolamento perante a onda de acordos de livre-comércio, a oposição teme que Pequim possa utilizar uma maior dependência para anexar a ilha. "Taiwan, como potência exportadora, deve enfrentar a realidade do poderio econômico e político da China e os desafios da globalização. A China é uma oportunidade e um perigo para a ilha", disse à Agência Efe a economista e comentarista política Cristina Chen. Após a emergência econômica da China, o histórico democrático de Taiwan perdeu valor internacional e as democracias se agarraram às exigências chinesas de cercar politicamente a ilha, diz a professora da Faculdade de Estudos Internacionais de Tamkang, Elisa Wang. "As democracias dão mais importância ao dinheiro que aos princípios", sentenciou a analista política da ilha. "O cerco político da China está danificando a economia da ilha, ao pressionar todos os países para que não assinem acordos de livre-comércio com Taiwan, e ao impedir que a ilha participe de organismos internacionais", diz o economista Huang Zhi-feng. Manter-se à margem do grande mercado chinês foi um erro na década passada, sob o Governo do independentista Partido Democrata Progressista (PDP), e a ilha "perdeu uma década", afirma em um recente editorial o jornal unionista "Tempos da China". A maior parte das grandes empresas taiuanesas está há anos pedindo ao Governo a liberalização dos laços de investimento e comércio com a China, favorecem o ECFA e mantêm fortes interesses na China. A crise econômica mundial, o crescente poderio econômico e político da China, e a crescente globalização representam, um forte desafio para a pequena ilha de Taiwan, poderosa em economia e fraca em política. O atual presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, do Partido Kuomintang (KMT), optou pela distensão com a China e a aproximação econômica, com a aceitação de uma confusa união a longo prazo. Desde o início da primeira rodada de negociações em Pequim, em junho de 2008, após dez anos sem contatos, foram assinados nove pactos em turismo, transporte aéreo e marítimo direto, investimentos e cooperação financeira e judicial.

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