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10/01/2010 - 19h49

Em meio a polêmica, Chávez defende desvalorização e ameaça detratores

EFE
Caracas, 10 jan (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamou hoje seus partidários a impedir que os comerciantes elevem os preços perante o anúncio de desvalorização da moeda, que entra em vigor amanhã entre críticas e incertezas de vários setores.

"Alguns burgueses, oligarcas (...) estão dizendo que pelas medidas anunciadas na sexta-feira eles têm que aumentar todos os preços. De maneira nenhuma vamos aceitar!", disse Chávez em seu programa de rádio e televisão de domingo, "Alô Presidente".

Chávez ameaçou ainda expropriar eventuais especuladores, após chamar militares e organizações populares a trabalharem unidos para impedir o aumento dos preços nas lojas. Neste domingo, muitos venezuelanos correram para comprar temendo um aumento súbito de valores.

Nos supermercados do leste de Caracas, não se observava pela manhã grandes filas, como foi possível ver em lojas de eletrodomésticos e de material de informática, produtos de importação muito solicitados em um mercado acostumado a um forte consumismo.

No entanto, os clientes faziam suas compras entre rumores de aumento de preços de até 50%. Funcionários disseram que estavam substituindo rótulos, embora sem poder determinar com que preço os produtos estariam na segunda-feira.

Chávez anunciou que a desvalorização da moeda nacional, até agora em 2,15 bolívares por dólar, regerá a partir de amanhã com dois tipos oficiais de câmbio: um de 2,6 e outro de 4,3 bolívares, sempre dentro do controle estatal de divisas.

A cotação de 2,6 bolívares regerá as importações prioritárias, entre elas as do setor de alimentos, saúde, maquinarias e equipamentos, ciência e tecnologia e todas as importações do setor público, assim como remessas familiares ou recursos de consulados e embaixadas credenciados na Venezuela.

"Para todo o resto", ressaltou Chávez na sexta-feira, se utilizará uma paridade de 4,3 bolívares por dólar, que chamou de "dólar petroleiro", e que permitirá especialmente cobrir as necessidades do setor automotivo, do comércio e das telecomunicações.

Ainda não foi explicado, no entanto, qual das duas cotações será utilizada em matéria de serviços ou, por exemplo, na área do turismo, o que levou a várias especulações sobre o preço das passagens de avião e outras tarifas relacionadas.

"Os que queiram aproveitar os anúncios (sobre a desvalorização) para encher o povo de medo, se preparem!", insistiu hoje o presidente, que destacou que "o povo atuará com a lei na mão".

Como repetiu nos últimos dias, as medidas tomadas buscam impulsionar o setor produtivo nacional.

A opinião não é compartilhada por dirigentes da oposição, que rejeitaram a desvalorização decidida pelo Governo com o argumento de que, apesar de dar mais receita ao Estado, gerará mais inflação em um país que já teve o recorde de 25,1% no fechamento de 2009.

O coordenador nacional do partido opositor Primeiro Justiça, Julio Borges, afirmou hoje que a desvalorização decretada pelo Governo é para continuar o "desperdício em presentes, compras militares e estatizações".

"Enquanto o Governo fica duas vezes mais rico, o povo fica duas vezes mais pobre", disse Borges em coletiva de imprensa.

O opositor perguntou ainda a Chávez a razão de ele ainda não ter investido na Venezuela os US$ 60 bilhões que presenteou em cinco anos a 40 países, assim como "US$ 12 bilhões destinados a estatizações e os US$ 8 bilhões para compras militares".

Já o presidente da aliança Social-Cristão (Copei)-Partido Popular, Luis Ignacio Planas, considerou que depois da "sexta-feira vermelha", como chamou o dia do anúncio da desvalorização, os cidadãos sofrerão as maiores consequências.

Igualmente, denunciou em comunicado que o dinheiro que o Governo receberá pela modificação da taxa de câmbio será utilizado com fins políticos em um ano no qual estão convocadas para setembro as eleições legislativas.

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