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11/01/2010 - 16h33

Argentina "precisa urgentemente" sair da moratória, diz a presidente

EFE
Buenos Aires, 11 jan (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou hoje que o país "precisa com urgência" sair da moratória que ingressou em 2001, ao defender a criação de um fundo para quitar as dívidas deste ano, bloqueado pela Justiça em meio de uma forte polêmica.

"Argentina precisa urgentemente sair da moratória para que as empresas possam conseguir financiamento mais barato", afirmou a governante durante um ato na sede do estatal Banco de la Nación, em Buenos Aires.

Cristina defendeu assim a criação por decreto do denominado Fundo do Bicentenário, que permite o uso de US$ 6,569 bilhões das reservas monetárias do Banco Central (US$ 48,10 bilhões) para o pagamento das dívidas soberanas deste ano.

Na sexta-feira passada, a juíza María José Sarmiento suspendeu o decreto presidencial de criação do fundo, por causa de uma exigência da oposição, que rejeita a utilização das reservas monetárias.

A governante considerou "chave" a implementação do fundo para retornar "ao mercado de capitais" e opinou que, através do uso de reservas, a Argentina subirá a taxas "muito melhores" em comparação a de outros mecanismos de financiamento.

A mesma juíza Sarmiento, responsável pelo processo administrativo durante o atual recesso judicial, também suspendeu na sexta-feira o decreto presidencial que exonerava o titular do Banco Central, Martín Redrado, quem tinha sido destituído na quinta-feira por ter se negado a usar as reservas para pagar dívidas.

O conflito explodiu no momento em que a Argentina se preparava para oferecer um refinanciamento de bônus em moratória por US$ 20 bilhões em mãos de credores que rejeitaram a reestruturação de 2005, quando o país saiu da moratória de 2001, a maior da história financeira (US$ 102 bilhões).

A magistrada recebeu hoje as apelações do Governo à suspensão dos dois decretos presidenciais e deve resolver se volta atrás nas decisões ou se leva à apreciação de uma alçada superior.

As apelações do Governo foram apresentadas no sábado ao juiz Carlos Grecco, presidente do tribunal de segunda instância, com a desculpa que não haviam conseguido encontrar a juíza Sarmiento.

O vice-presidente argentino, Julio Cobos, inimigo do Governo desde 2008, prevê reunir-se hoje com os chefes dos grupos parlamentares do Senado com o objetivo de pressionar para reativar as sessões do Legislativo.

As principais forças da oposição, que saíram em defesa de Redrado, também travam por conseguir que o Parlamento tome cartas no assunto.

Além disso, a comissão parlamentar que controla os decretos presidenciais, integrada por oito governistas e outros opositores, se reunirá na próxima quarta-feira para analisar a sentença que autorizou o uso das reservas e a que exonerou Redrado.

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