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11/01/2010 - 13h28

BCE pede a mercados para melhorar gestão de riscos

EFE
Arantxa Iñiguez Basileia (Suíça), 11 jan (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, porta-voz dos bancos centrais do G10, pediu hoje aos mercados financeiros melhorar a gestão de riscos e permanecer alerta mesmo com a recuperação econômica.

Trichet disse em Basileia que "se confirma a normalização progressiva da economia e estamos em uma atmosfera de recuperação em nível global", após a pior crise desde a Grande Depressão na década de 30.

Após uma reunião dos bancos centrais do G10 (grupo de países desenvolvidos) e outras nações industrializadas e emergentes na sede do Banco para Pagamentos Internacionais (BIS), Trichet pediu aos bancos, ao setor privado e a outros participantes dos mercados financeiros a "melhorar significativamente a gestão de riscos" e "permanecer alerta".

Trichet lembrou o que ocorreu em algumas instituições financeiras como consequência de uma falta de gestão de riscos adequada e considerou que os bancos devem reforçar suas contas de resultados.

O BIS, fundado em 1930 e dirigido agora pelo espanhol Jaime Caruana, fomenta a cooperação monetária e financeira internacional e atua como banco para os bancos centrais, que são seus clientes. A instituição conta com reuniões a cada bimestre.

É praxe que o BIS convide para a reunião do mês de janeiro os executivos-chefes dos maiores bancos comerciais do mundo.

O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB na sigla em inglês), que se reuniu no sábado passado em Basileia, observou que há sinais de recuperação no sistema financeiro global, mas que a situação não é tão boa como consideram os mercados.

Neste sentido, o diretor do FSB, Mario Draghi, destacou que "a situação geral melhorou, mais do que podíamos esperar há um ano, mas, ao mesmo tempo, não é tão boa como consideram os mercados" e alertou que eles estão assumindo muitos riscos de novo.

O baixo nível das taxas de juros e a grande quantidade de liquidez injetada pelos bancos centrais nos mercados podem ter contribuído para isso.

Atualmente as taxas de juros nos Estados Unidos se situam entre 0% e 0,25 %, no Japão estão por volta de 0%, na zona do euro cerca de 1% e no Reino Unido em torno de 0,5%.

Trichet ressaltou também as diferenças que existem entre as diversas economias em relação à produtividade laboral e o emprego, mas recusou fazer comentários concretos sobre países.

"Em algumas economias se observa uma grande resistência do emprego, enquanto em outros países o nível de desemprego é muito elevado", disse o presidente do BCE.

Ele falou sobre os instrumentos públicos introduzidos em alguns países como o trabalho em jornada reduzida ou em meio-período, como na Alemanha, permitindo que a taxa de desemprego neste país se situasse em novembro por volta de 7,6 % e cujo objetivo é manter pessoal qualificado.

"Se utilizaram alguns instrumentos públicos para ajudar no trabalho em tempo parcial e, além disso, está a reação espontânea de alguns setores empresariais que reagiram de forma diferente segundo suas especialidades com especial cuidado em manter o capital humano e esperar a recuperação", disse Trichet.

Na Espanha, a taxa de desemprego situou-se em novembro em 19,4%, segundo números do escritório comunitário de estatística Eurostat.

"Discutimos muito sobre os desequilíbrios fiscais e a necessidade de voltar a uma normalidade e sustentabilidade a médio prazo", explicou o banqueiro francês.

Trichet assinalou que "diminuíram os atuais déficit comerciais em muitos países e é importante ver exatamente o que há por trás - o aspecto estrutural e relacionado com o consumo e a redução dos investimentos".

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