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11/01/2010 - 17h46

Desvalorização entra em vigor na Venezuela em meio a temor de seus efeitos

EFE
Caracas, 11 jan (EFE).- A desvalorização da moeda na Venezuela entrou em vigor hoje em meio a um clima de incerteza sobre os efeitos da medida, que fixa uma dupla paridade, na já galopante inflação e minguada produtividade nacional.

Enquanto o Governo do presidente Hugo Chávez insiste que a desvalorização não influenciará nos preços e impulsionará a produção, analistas privados preveem um aumento da inflação e um efeito praticamente nulo na produtividade da Venezuela, quinto exportador mundial de petróleo.

Nesta segunda-feira foi publicada a portaria da entrada em vigor do novo sistema de câmbio controlado na Venezuela, com taxas de 2,6 e 4,3 bolívares por dólar, uma desvalorização de 20,9% e 100% com relação a anterior mudança única de 2,15 bolívares por divisa.

A taxa de 2,6 será aplicada à importação de bens e serviços básicos como alimentos, saúde, educação, máquinas, entre outros, e a de 4,3 aos setores não primordiais como automotivo, borracha, comércio, químicos, informática, eletrodomésticos, turismo, entre outros.

Nesta manhã, o comércio em Caracas operava com relativa normalidade em comparação com as compras nervosas do final de semana, quando milhares de habitantes de Caracas abarrotaram as lojas de produtos de informática e eletroeletrônica, diante do temor do aumento dos preços.

Filas de compradores eram observados em alguns pontos da capital, enquanto gerentes de supermercados e lojas de eletrônica disseram à Agência Efe que, por enquanto, descartavam ajustar seus preços em consequência da desvalorização.

Chávez ameaçou ontem expropriar os comércios que incorram em especulação e insistiu em que o "ajuste" cambial não deve gerar um aumento dos preços.

Analistas da associação de industriais disseram que a maxidesvalorização acelerará a inflação, que acumulou 25,1% em 2009 e 30,9% em 2008, e não favorecerá a produção nacional devido ao clima de desconfiança no país que mantém o Governo "revolucionário".

Domingo Maza Zavala, ex-diretor do Banco Central da Venezuela (BCV-emissor), afirmou que "a carga inflacionária da desvalorização vai ser bastante significativa", e poderia impulsionar o indicador até "mais ou menos 50%" neste ano.

Maza assinalou que não só o setor privado "terá de colocar novos preços às importações", mas também o Governo, que é o principal importador de alimentos e outros produtos de primeira necessidade.

Se não fizer isso, "o subsídio a cargo do fisco" de produtos básicos como alimentos e remédios, "seria muito maior", afirmou o analista.

Maza negou que a desvalorização impulsione as exportações venezuelanas e argumentou que isso "requer que a atitude do Executivo mude com relação ao setor empresarial".

Nesse sentido, o presidente da Federação Venezuelana dos Industriais (Conindustria), Carlos Larrazábal, revelou que a produção local crescerá na medida em que se "evite o ambiente de ataque contínuo" ao setor privado por parte do Executivo e se iniciem "políticas confiáveis e coerentes".

O controle de mudança vigente desde 2003 "originou a sobrevalorização da moeda e isso tornou o importado mais vantajoso que o produzido nacional", afirmou Larrazábal.

Acrescentou que no país persiste "um ambiente hostil onde se ataca o investidor", e alertou que "enquanto não for revertida a intenção do Governo de montar uma economia socialista, que fracassou em todo o mundo, haverá uma nova desvalorização a cada dois anos".

Com a "maxidesvalorização, o que está conseguindo é dobrar as receitas do Governo e reduzir seus passivos à metade, acumulando um caixa volumoso para injetar no gasto público, o que deve aumentar a inflação", acrescentou o presidente da Conindustria.

Por sua vez, o dirigente do Copei Partido Popular, Alejandro Vivas, afirmou que "o único beneficiado" da desvalorização é "Chávez" porque "está metendo a mão no bolso do povo para deixá-lo mais pobre e ele ficar mais rico às vésperas da campanha eleitoral para a Assembleia Nacional (AN)".

O pleito para renovar o unicameral AN, de 167 membros, quase todos governistas, está previsto para 26 de setembro.

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